México recebe a abertura do Mundial, enquanto restrições migratórias nos EUA afetam seleções, torcedores e profissionais ligados ao torneio
A Copa do Mundo de 2026 começa nesta quinta-feira (11), com a partida entre México e África do Sul, no Estádio Azteca, na Cidade do México. O torneio estreia um formato inédito, com 48 seleções, 104 jogos e três países-sede: México, Estados Unidos e Canadá. A competição também começa marcada por tensões geopolíticas, especialmente pelas restrições migratórias adotadas pelo governo dos Estados Unidos.
Mesmo com a abertura no México e partidas também no Canadá, os Estados Unidos concentram a maior parte da competição. Das 16 cidades-sede, 11 ficam em território norte-americano, três no México e duas no Canadá. A Fifa confirma que esta será a maior edição da história da Copa, com jogos distribuídos entre os três países anfitriões.
No novo modelo, as seleções foram divididas em 12 grupos de quatro equipes. Avançam para a fase eliminatória os dois primeiros colocados de cada grupo e os oito melhores terceiros colocados. Com isso, 32 seleções seguem para o mata-mata, que terá uma rodada a mais em relação às edições anteriores.
O protagonismo dos Estados Unidos como principal sede ocorre em meio a questionamentos sobre a política migratória do governo Donald Trump. Segundo o Guardian, a Fifa afirmou que não participa dos processos migratórios dos países-sede e que a decisão sobre vistos e admissões cabe ao governo anfitrião.
A seleção do Irã está entre as delegações afetadas. De acordo com a publicação britânica, autoridades e integrantes da equipe iraniana tiveram dificuldades com vistos, enquanto a seleção mudou sua base de treinamento para Tijuana, no México, apesar de disputar partidas da fase de grupos nos Estados Unidos.
Outros casos também foram registrados. O atacante iraquiano Aymen Hussein foi retido e interrogado por horas no aeroporto de Chicago antes de ser autorizado a entrar no país. Já o fotógrafo da delegação do Iraque teve a entrada negada após inspeção de seu celular, segundo o Guardian.
O árbitro somali Omar Artan, escalado pela Fifa para a competição, também teve a entrada recusada ao desembarcar em Miami. A entidade informou que ele não poderá treinar nem atuar no torneio. O caso ganhou repercussão por envolver um dos árbitros africanos selecionados para o Mundial.
Apesar das tensões fora de campo, a Fifa mantém a programação oficial da competição. A abertura no México marca o início de uma Copa ampliada, com mais seleções, mais partidas e maior alcance global, mas também expõe os desafios de organizar o maior torneio do futebol em um ambiente internacional marcado por disputas políticas, restrições migratórias e conflitos diplomáticos.