Demanda por refrigeração cresce impulsionada por proteínas e hortifrúti; operação atingiu quase 120 contêineres no mês.
Os gastos logísticos no Brasil atingiram 15,5% do PIB em 2025 (R$2 trilhões), segundo o Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS). Dentro desse cenário, um segmento ganha cada vez mais relevância: o da cadeia fria, voltada ao transporte e armazenamento de produtos perecíveis.
Esse mercado movimenta aproximadamente R$ 200 bilhões por ano no país, com demanda concentrada em alimentos, bebidas e indústria farmacêutica, e crescimento impulsionado por regiões que exigem soluções logísticas mais robustas, como a Amazônia.
“A logística de perecíveis requer agilidade e pontualidade, desde a colheita ou processamento final, passando ao embarque, até o destino final”, explica Murillo Sperandio, head de Estratégia e Produtos Logísticos da Costa Brasil. A empresa foi a primeira operadora logística multimodal a investir em uma infraestrutura própria e dedicada à solução reefer em Manaus, voltada para cargas refrigeradas e congeladas.
Desde 2025, a operação atende segmentos como hortifrúti, proteínas de origem animal e pescados sazonais. Em março, a companhia registrou seu maior volume mensal, com a movimentação de 117 contêineres reefer e crescimento de 20,5% no número de empresas atendidas.
Para acompanhar a expansão da demanda, a Costa Brasil avança na ampliação de sua infraestrutura. “Temos um projeto em andamento para expansão das tomadas eletrificadas, com capacidade para até 200 contêineres reefer. Até o final de 2026, a meta é atingir um acumulado de mil boxes dedicados à operação em Manaus”, afirma Sperandio.
A solução reefer permite o controle preciso de temperatura ao longo de toda a jornada logística, garantindo segurança operacional e rastreabilidade ponta a ponta. Na prática, isso se traduz em maior previsibilidade, redução de perdas e otimização do tempo de entrega, fatores críticos para produtos sensíveis.
“Ao consolidar o sistema em nosso centro logístico, temos uma boa perspectiva para expansão na região e até mesmo ampliação a novos mercados, conforme necessidades de outros locais”, afirma Murillo.
Infraestrutura e logística como resposta aos desafios da região
O avanço da cadeia fria no Brasil acompanha o crescimento de setores estratégicos. O país é hoje um dos maiores produtores mundiais de proteína animal, com destaque para a carne de frango, cuja produção deve alcançar cerca de 10 milhões de toneladas em 2026.
Já o mercado de frutas e hortifrutis movimenta mais de 42 milhões de toneladas ao ano, com mais de 90% voltado ao consumo interno - evidenciando o potencial logístico para abastecimento na região.
Na região Norte, desafios como longas distâncias, limitações de acesso e condições climáticas intensificam a necessidade de soluções logísticas especializadas.
Nesse contexto, investimentos em infraestrutura como portos, centros logísticos e áreas equipadas com tomadas reefer tornam-se determinantes para reduzir riscos operacionais e ampliar a eficiência da cadeia.
Em Manaus, a Costa Brasil conta com um centro logístico com mais de 50 mil m² entre pátios e armazéns, incluindo áreas dedicadas à operação de cargas refrigeradas. A estrutura é complementada por equipes especializadas, treinadas para atuação com cargas sensíveis e operações de alta complexidade.
“A consolidação da cadeia fria na região passa necessariamente pelo desenvolvimento de infraestrutura e tecnologia. Nosso objetivo é contribuir para esse avanço, fortalecendo a competitividade logística da região e apoiando o crescimento dos nossos clientes”, reforça Sperandio.