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Crise da água em Gaza: Moradores enfrentam escassez após corte no abastecimento

Muitos moradores agora precisam caminhar por longas distâncias diariamente para coletar água de poucos poços ainda em operação.

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11 de Abril de 2025
Foto: Reprodução / Reuters

Centenas de milhares de habitantes da Cidade de Gaza enfrentam uma crise cada vez mais severa para conseguir água potável, após a interrupção no fornecimento realizada pela estatal israelense Mekorot. De acordo com as autoridades municipais do território, o corte ocorreu em consequência da nova ofensiva militar de Israel, que danificou a principal tubulação durante bombardeios e uma incursão terrestre no bairro de Shejaia, no leste da cidade. 

"Desde a manhã, estou esperando por água", desabafou Faten Nassar, de 42 anos. "Não há estações e não há caminhões chegando. Não há água. As passagens estão fechadas. Se Deus quiser, a guerra terminará de forma segura e pacífica." 

A estatal Mekorot era responsável por fornecer cerca de 70% da água consumida na cidade de Gaza desde que a maioria dos poços locais foi destruída ao longo da guerra, segundo informaram autoridades locais. A ofensiva israelense obrigou moradores a abandonarem Shejaia e outros distritos vizinhos, enquanto o exército alegava estar operando contra "infraestruturas terroristas", com a morte de um líder militante sênior. 

Husni Mhana, porta-voz do município de Gaza, alertou para o agravamento da crise hídrica. "A situação é muito difícil e as coisas estão ficando mais complicadas, especialmente quando se trata da vida cotidiana das pessoas e de suas necessidades diárias de água, seja para limpeza, desinfecção e até mesmo para cozinhar e beber", afirmou. 

"Estamos agora vivendo uma verdadeira crise de sede em Gaza e poderemos enfrentar uma realidade difícil nos próximos dias se a situação continuar a mesma." 

A escassez atinge um território já fragilizado: a maioria dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza foi deslocada internamente pela guerra, e muitos agora precisam caminhar por longas distâncias diariamente para coletar água de poucos poços ainda em operação — nem todos com garantia de potabilidade. A falta de acesso torna a água potável um luxo para milhares de famílias. 

"Eu ando longas distâncias. Fico cansado. Sou velho, não sou jovem para andar todos os dias para pegar água", relatou Adel Al-Hourani, de 64 anos. 

A única fonte natural de água da Faixa de Gaza, a Bacia do Aquífero Costeiro, está seriamente comprometida. Estudos apontam que até 97% da água extraída dessa bacia é imprópria para o consumo humano, devido à salinidade elevada, poluição e exploração excessiva dos recursos subterrâneos. 

Desde o início da guerra, após o ataque do grupo Hamas em outubro de 2023 que matou 1.200 pessoas em Israel e levou cerca de 250 reféns, segundo autoridades israelenses, mais de 50.800 palestinos foram mortos pela ofensiva militar israelense, de acordo com registros das autoridades palestinas. 

A crise humanitária se intensifica à medida que a infraestrutura básica de Gaza colapsa sob o peso do conflito, com a escassez de água se tornando um dos símbolos mais graves do sofrimento da população civil. 

 

Com informações da Reuters e Agência Brasil.

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