Comitê Olímpico Brasileiro eterniza quatro ídolos do esporte nacional em cerimônia no Rio; total de homenageados chega a 39.
O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) homenageou, na noite de terça-feira (13), quatro grandes nomes do esporte nacional com a inclusão no Hall da Fama do Esporte: a ginasta Daiane dos Santos, o tenista Gustavo Kuerten, a judoca Edinanci Silva e o atirador Afrânio da Costa. A cerimônia de gala aconteceu no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, e celebrou a trajetória desses atletas que marcaram época — mesmo que nem todos tenham conquistado medalhas olímpicas.
Criado em 2018, o Hall da Fama tem como objetivo preservar a história do esporte brasileiro e inspirar novas gerações. Segundo o presidente do COB, Marco Antônio La Porta, mais importante do que as medalhas é o legado deixado pelos atletas:
“A medalha é apenas um detalhe do processo. É a contribuição do atleta para o movimento, a inspiração dele para os Jogos, isso é o que conta. A gente precisa contar a história do esporte para incentivar jovens atletas.”
Daiane dos Santos (Divulgação: COB)
Aos 42 anos, Daiane dos Santos, campeã mundial de ginástica artística em 2003, emocionou-se ao falar sobre o reconhecimento. Durante o discurso, ela destacou o orgulho de representar a ginástica brasileira:
“É difícil descrever um sentimento. Me sinto lisonjeada representando a ginástica, o esporte brasileiro e tantos outros grandes atletas.”

Gustavo Kuerten (Divulgação: COB)
Outro grande nome homenageado foi Gustavo Kuerten, tricampeão de Roland Garros (1997, 2000 e 2001). Guga foi a principal atração da noite e reforçou a importância de valorizar a história dos esportistas nacionais:
“Tanto os que aqui já passaram e são homenageados, como Joaquim Cruz, Bernard, William, Hortência, Paula, Ricardinho, todos esses nomes fizeram a gente sonhar. Daí pensava: sou brasileiro também e vai dar certo, tem que funcionar. Vamos valorizar essa capacidade que temos de transformar a vida de milhões de brasileiros.”
Edinanci Silva (Divulgação: COB)
A judoca Edinanci Silva, que participou de quatro Olimpíadas, também foi lembrada. Natural de Sousa, na Paraíba, ela subiu ao palco com um mandacaru de madeira, símbolo das suas raízes nordestinas:
“Nunca esqueci das minhas raízes, sempre carreguei um pedacinho de rapadura para o Japão, para a Alemanha, onde fosse competir. Sempre quis manter o vigor para representar bem o esporte, principalmente daquela região que é especial.”
A quarta homenagem da noite foi póstuma: Afrânio da Costa, atirador falecido em 1979, foi o primeiro medalhista olímpico do Brasil, com uma prata e um bronze nos Jogos de Antuérpia, em 1920. Apesar de pouco lembrado pelo público, sua trajetória foi resgatada na cerimônia e sua biografia agora integra o site oficial do COB. O também atirador Felipe Wu, prata nos Jogos Rio 2016, destacou a importância histórica de Afrânio:
“Logo depois se destacou na parte administrativa. Ele teve uma grande relevância nos primórdios do esporte.”
Com a inclusão dos quatro homenageados, o Hall da Fama do COB passa a contar com 39 atletas. O diretor-geral da entidade, Emanuel Rego, campeão olímpico de vôlei de praia, reforçou a importância da memória esportiva:
“Quais são as premissas do Movimento Olímpico? Todos os homenageados tiveram excelência plena em suas modalidades. Fazer com que eles sejam inspiradores das novas gerações, que elas lembrem desses ícones. Espero que muitas outras gerações possam acompanhar o sucesso que eles tiveram.”
A trajetória dos atletas incluídos no Hall da Fama pode ser conferida na página oficial do Comitê Olímpico Brasileiro.