Senadora afirma que convocações e quebras de sigilo se baseiam em “indícios concretos” de irregularidades.
Após ser chamada de “linguaruda” e desafiada publicamente pelo pastor Silas Malafaia, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) divulgou, nesta quarta-feira (14), uma lista com nomes de líderes religiosos e instituições evangélicas que se tornaram alvo de medidas restritivas no âmbito da CPMI que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a parlamentar, convocações e quebras de sigilo aprovadas pela comissão não são arbitrárias, mas fundamentadas em “indícios concretos” de irregularidades.
De acordo com documentos apresentados por Damares, os pedidos se apoiam em cruzamentos de dados técnicos, incluindo Relatórios de Inteligência Financeira (RIF), emitidos pelo Coaf, que indicariam movimentações atípicas, além de dados da Receita Federal relacionados a inconsistências fiscais e patrimoniais.
O nome de maior impacto citado pela senadora foi o do pastor André Valadão. Contra ele, foram listadas medidas como a “Transferência de Sigilo (REQ 2728/2025)”, que autoriza acesso a dados bancários e fiscais, e uma “Convocação Obrigatória (REQ 2638/2025)”, que determina o comparecimento para depoimento, sob pena de condução coercitiva.
Além de pessoas físicas, Damares apontou instituições religiosas que tiveram a transferência de sigilo aprovada: Igreja Evangélica Campo de Anatote (REQ 2640/2025), Adoração Church (REQ 2746/2025), Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo (REQ 2745/2025) e Ministério Deus é Fiel Church / SeteChurch (REQ 2635/2025). O objetivo seria apurar possíveis fluxos financeiros irregulares ligados às fraudes no INSS.
Ainda segundo a senadora, outros líderes religiosos foram formalmente convidados a comparecer voluntariamente à CPMI: Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel, André Fernandes e Cesar Belucci do Nascimento. Até o fechamento da matéria, as defesas dos citados e o pastor Silas Malafaia não haviam se pronunciado oficialmente sobre a lista divulgada.
A divulgação ocorreu após Malafaia reagir às declarações da senadora de que “grandes igrejas” estariam envolvidas no esquema de fraudes no INSS. Em vídeo publicado nas redes sociais, o pastor chamou Damares de “linguaruda leviana” e cobrou que ela apresentasse provas e revelasse nomes. “Ou ela prova o que está dizendo ou precisa se retratar”, afirmou Malafaia, sustentando que a fala lançaria suspeitas graves sem indicar instituições ou fatos concretos.
Damares, por sua vez, declarou que apenas mencionou o que foi apurado na CPMI do INSS e informou ter encaminhado uma nota com dez situações encontradas pela comissão envolvendo evangélicos e igrejas.