Partido assume o controle da Câmara e do Senado após eleições de meio de mandato marcadas pela insatisfação com o custo de vida, a guerra no Irã e a gestão do presidente.
O Partido Democrata conquistou o controle das duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3), impondo uma expressiva derrota política ao presidente Donald Trump. Os resultados, confirmados na madrugada desta quarta-feira (4), representam uma mudança no equilíbrio de poder em Washington, com a oposição assumindo a maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado. A votação foi marcada pelo avanço democrata em estados tradicionalmente republicanos e pela insatisfação de parte do eleitorado com os rumos do governo.
Conhecidas como midterms, as eleições acontecem a cada dois anos, na metade do mandato presidencial, e renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e parte do Senado. Desta vez, os democratas conseguiram reverter a vantagem republicana no Legislativo, conquistando cadeiras importantes em estados como Texas, Kansas, Iowa, Ohio e Carolina do Sul. No Kansas, o partido elegeu seu primeiro senador em quase um século, enquanto o Texas registrou vitórias democratas nas disputas pelo Senado e pelo governo estadual.
O resultado foi influenciado por diferentes fatores, especialmente a preocupação dos norte-americanos com o aumento do custo de vida, os preços de produtos essenciais e os impactos da guerra contra o Irã. Segundo pesquisa de boca de urna realizada pela SSRS para um consórcio de veículos de comunicação, metade dos eleitores entrevistados considerou a votação uma oportunidade de demonstrar insatisfação com Trump. O levantamento também apontou que 70% defendem que o Congresso exerça maior fiscalização e controle sobre as decisões presidenciais.
Diante da derrota, Trump reagiu afirmando que o resultado não deveria ser interpretado como uma rejeição pessoal. Em publicação nas redes sociais, o presidente argumentou que não estava diretamente na disputa eleitoral e disse acreditar que teria vencido caso seu nome estivesse nas urnas. Apesar das críticas, o republicano sinalizou que aceitará os resultados e poderá recorrer ao poder de veto para barrar propostas democratas que contrariem as prioridades de seu governo.
A nova composição do Congresso poderá dificultar a aprovação de projetos defendidos pela Casa Branca e ampliar a fiscalização sobre o Executivo. Com maioria nas duas Casas, os democratas terão condições de comandar comissões parlamentares, promover investigações sobre a administração Trump e influenciar a análise de indicações presidenciais para cargos federais. O controle do Senado também aumenta o poder da oposição sobre a confirmação de autoridades e magistrados indicados pelo presidente.
As eleições também provocaram mudanças importantes nos governos estaduais. No Texas, a democrata Gina Hinojosa derrotou o governador republicano Greg Abbott, enquanto outras disputas registraram resultados históricos relacionados à representação de mulheres e minorias. O avanço democrata em regiões conservadoras ampliou o alcance da chamada onda azul, expressão utilizada nos Estados Unidos para descrever grandes vitórias eleitorais do Partido Democrata.
O novo Congresso tomará posse em janeiro de 2027 e atuará durante os dois últimos anos do atual mandato de Trump. Até lá, algumas disputas ainda poderão passar por atualizações na apuração, mas o controle democrata das duas Casas já foi projetado pelos principais veículos de comunicação norte-americanos. A mudança abre uma nova fase de negociações e possíveis confrontos políticos entre o Congresso e a Casa Branca, com consequências para a política interna e externa dos Estados Unidos.