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Deportação em massa de Trump pode impactar a economia da América Latina

Imigrantes latino-americanos são responsáveis por bilhões de dólares em remessas enviadas para seus países de origem, o que pode ser afetado por uma política de deportação

29 de Janeiro de 2025
Foto: Foto: Cristina Chiquin/Reuters

A promessa do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de implementar uma política de deportação em massa de imigrantes pode ter sérias consequências para a economia de vários países da América Latina e do Caribe. Esses países dependem significativamente das remessas enviadas por imigrantes, sendo este o principal destino do dinheiro enviado por quem trabalha nos Estados Unidos. 

Segundo dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no ano passado, imigrantes latino-americanos enviaram aproximadamente US$ 161 bilhões (quase R$ 1 trilhão) para suas famílias na América Latina e no Caribe. Para países como Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala e Haiti, as remessas representam de 20% a 25% de seu Produto Interno Bruto (PIB). 

Essas remessas, enviadas após longas jornadas de trabalho, muitas vezes precárias, sustentam famílias inteiras, compostas principalmente por mulheres, crianças e idosos. Para muitas pessoas, o receio não é só humanitário, mas também financeiro. Em San Cristóbal de las Casas, no estado mexicano de Chiapas, uma mulher que preferiu não se identificar revelou o medo de perder o apoio financeiro de seu marido, que emigrou para os Estados Unidos para trabalhar em uma plantação de mirtilo. Ela conta que a renda enviada por ele é essencial para a sobrevivência da família, permitindo que comprem alimentos, medicamentos e invistam em um futuro melhor. 

As remessas enviadas pelos imigrantes latino-americanos ajudam a movimentar as economias locais e são essenciais para as famílias, com uma parte significativa sendo destinada a gastos básicos como alimentação, saúde e educação. Aproximadamente 80% das remessas que chegam à América Latina vêm dos Estados Unidos, um dado relevante dado que muitos imigrantes não possuem acesso a bancos e enviam o dinheiro em espécie, o que dificulta o rastreamento total dessas transferências. 

No ano passado, a taxa de emprego de imigrantes latino-americanos e caribenhos nos Estados Unidos foi de 95,2%, muito superior à de seus países de origem. Embora muitos imigrantes possuam formação superior ou técnica, muitos acabam aceitando empregos abaixo de suas qualificações. O salário semanal médio desses imigrantes no início de 2024 era de US$ 891 (mais de R$ 5.000), o maior valor registrado nos últimos 18 anos. 

Com a ameaça de deportação, muitos imigrantes temem perder suas fontes de renda, o que poderia agravar ainda mais a situação econômica de suas famílias e países de origem. Além disso, remessas de outros países da América Latina, como a Venezuela, também são de difícil monitoramento devido à falta de transparência do regime local e a complexidade do sistema de envio de dinheiro, onde muitos imigrantes recorrem a intermediários para evitar as restrições financeiras do governo venezuelano. 

A possível deportação de imigrantes pode criar uma crise financeira nos países dependentes dessas remessas, tornando ainda mais difícil a recuperação econômica de uma região já marcada por desigualdade e instabilidade. 

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