Segundo deputado, a Itália corre o risco de se tornar um “paraíso para golpistas”
O governo italiano está sob pressão para impedir a entrada da deputada brasileira Carla Zambelli (PL-SP), condenada a dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Após a decisão da Corte, Zambelli deixou o Brasil rumo à Europa, alegando motivos médicos e afirmando que possui cidadania italiana.
O deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, apresentou um pedido formal aos ministros das Relações Exteriores e Cooperação Internacional da Itália para que medidas urgentes sejam tomadas contra a permanência da parlamentar em solo italiano. Segundo ele, a Itália corre o risco de se tornar um “paraíso para golpistas”.
Bonelli destacou crimes atribuídos a Zambelli, como a invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a inserção de documentos falsos, incluindo um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. Também citou episódios de perseguição armada e disseminação de fake news.
No Brasil, o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva da deputada, ordenou o bloqueio de seus bens, contas e redes sociais, e incluiu seu nome na lista de difusão vermelha da Interpol, o que pode facilitar sua prisão internacional com fins de extradição.
Zambelli, em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou estar fora do Brasil desde a semana anterior à decisão e que pretende se licenciar do mandato. Ela alegou enfrentar problemas de saúde, como depressão e disfunções cardíacas, e usará essas condições para tentar evitar o regime fechado.
A parlamentar foi condenada junto com o hacker Walter Delgatti Neto, acusado de agir sob orientação dela para inserir 16 documentos falsos no sistema do CNJ. A pena também inclui multa de R$ 2 milhões e a perda do mandato, além da inelegibilidade por oito anos.
O advogado Daniel Bialski, que defendia Zambelli, deixou o caso alegando “motivos de foro íntimo” após criticar o julgamento virtual e alegar ausência de provas materiais que ligassem a deputada diretamente às ações criminosas.
O deputado Bonelli ainda sugeriu a alteração da legislação italiana para permitir a revogação da cidadania de pessoas condenadas por crimes de golpe, subversão da ordem democrática ou crimes contra a humanidade. A proposta visa evitar novos casos semelhantes envolvendo políticos brasileiros.
Em 2023, o mesmo parlamentar já havia pedido que o governo italiano negasse cidadania ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, temendo que o país se tornasse refúgio para acusados de atos antidemocráticos. O governo italiano negou na época qualquer solicitação formal de cidadania por parte do ex-presidente.