A descoberta lança nova luz sobre a história da civilização maia e suas conexões com outras culturas antigas.
Arqueólogos fizeram uma descoberta extraordinária no sítio arqueológico de Caracol, em Belize: o túmulo de um antigo governante maia, datado de cerca de 1.700 anos, foi identificado como pertencente a Te K’ab Chak, um dos fundadores de uma das dinastias mais importantes da civilização maia. Trata-se do primeiro túmulo já encontrado no local, o que torna o achado ainda mais significativo.
A câmara mortuária, cuidadosamente escondida sob estruturas ancestrais, continha um conjunto de artefatos raros e simbólicos: uma máscara mortuária feita em mosaico, joias de jadeíta, conchas vindas do Oceano Pacífico e vasos de cerâmica ricamente decorados. Os desenhos retratam deuses maias, como o deus dos comerciantes, e o próprio governante empunhando uma lança — indícios claros de sua posição elevada na hierarquia da época.
O arqueólogo Arlen Chase, um dos primeiros a adentrar a tumba, revelou ao The New York Times que a presença de cinábrio vermelho — um pó mineral altamente simbólico nos rituais funerários maias — foi um dos primeiros sinais de que se tratava de uma figura de destaque. A suspeita foi confirmada ao lado de sua esposa e parceira de escavações, Diane Chase, com quem trabalha há quase cinco décadas.
A análise dos hieróglifos presentes nos objetos funerários levou à identificação de Te K’ab Chak, que teria assumido o trono de Caracol por volta do ano 333 d.C., num período em que a cidade dava os primeiros passos rumo a se tornar uma potência regional.
O túmulo revelou também um detalhe tocante sobre o governante: ele viveu até uma idade avançada, a ponto de ter perdido todos os dentes — um feito raro para a época.