Chanceler dinamarquês afirma que ilha não está aberta a anexação, em resposta às declarações do presidente dos EUA
A Dinamarca reforçou nesta sexta-feira (14) que a Groenlândia “não está aberta” à anexação, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistir na ideia de integrar o território autônomo dinamarquês aos EUA.
“A Groenlândia não está aberta à anexação, quer ao abrigo do acordo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), da Carta das Nações Unidas ou do direito internacional”, afirmou Lars Lokke Rasmussen, ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, em declarações citadas pela agência francesa AFP.
Trump havia declarado na quinta-feira (13) que a anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos acabará por acontecer para promover a segurança internacional. “Penso que vai acontecer. Precisamos dela [da Groenlândia] para a segurança internacional”, disse Trump na Casa Branca, ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que preferiu não reagir.
Em resposta, o primeiro-ministro interino da Groenlândia, Mute Egede, cuja candidatura foi derrotada nas eleições legislativas de terça-feira (11), anunciou a convocação urgente de uma reunião com os líderes partidários. “Desta vez, temos de endurecer a nossa rejeição a Trump. Não podemos continuar a ser desrespeitados”, escreveu Egede nas redes sociais.
O partido vitorioso nas eleições, os Democratas, favorável a uma possível independência da Dinamarca, se opõe, no entanto, a uma ligação com os Estados Unidos. O futuro chefe do governo, Jens Frederik Nielsen, também condenou as declarações de Trump, classificando-as de “descabidas” e reafirmando a importância da unidade da Groenlândia diante dessa situação.
O chefe da diplomacia dinamarquesa, Lars Lokke Rasmussen, ressaltou que não há nenhum indício nas eleições de que a população da Groenlândia deseje se separar do Reino da Dinamarca para se tornar parte dos Estados Unidos. “Não vejo qualquer indício nas eleições da Groenlândia de que as pessoas queiram deixar o reino para se tornarem americanas”, afirmou.
Trump havia manifestado pela primeira vez o desejo de comprar a Groenlândia em 2019, durante seu primeiro mandato, e voltou a levantar a proposta após sua reeleição em novembro de 2024.
A Groenlândia, com 2 milhões de quilômetros quadrados (80% cobertos por gelo), tem uma população de cerca de 56 mil habitantes. Os Estados Unidos mantêm uma base militar no norte da ilha, dentro de um amplo acordo de defesa assinado entre Copenhague e Washington em 1951. Além de sua localização estratégica no Ártico, a Groenlândia é rica em minerais de terras raras e petróleo, recursos que despertam o interesse dos Estados Unidos.
Com informações da Agência Lusa.