Segunda-Feira, (26 de Outubro de 2026)
Economia

Dólar dispara mais de 8% após reeleição de Lula; ações brasileiras despencam

Moeda americana ultrapassa R$ 5,40 na abertura do mercado, enquanto empresas brasileiras registram fortes perdas no exterior nesta segunda-feira (26).

Por: Portal Amz em Pauta
26 de Outubro de 2026
Foto: REUTERS / Paulo Whitaker

O dólar abriu em forte alta nesta segunda-feira (26), primeiro dia de negociações após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que derrotou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Por volta das 9h10, no horário de Brasília, a moeda americana avançava 8,71%, cotada a R$ 5,424. A reação também atingiu ações de empresas brasileiras negociadas no exterior, diante das incertezas dos investidores sobre os rumos da política econômica do país.

A movimentação ocorreu após o resultado das urnas contrariar as expectativas de parte do mercado financeiro, que apostava em uma mudança de governo. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. Com a confirmação da vitória do petista, investidores começaram a rever posições financeiras construídas durante a campanha eleitoral, provocando oscilações no câmbio, nos juros futuros e no mercado de ações.

No exterior, as perdas foram expressivas. Por volta das 7h30, o EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha uma carteira de ações brasileiras, recuava mais de 26% no pré-mercado. Entre os papéis de empresas nacionais, os recibos de ações do Itaú registravam queda de 28%, enquanto os do Bradesco caíam 25% e os da Petrobras recuavam 23%. As ações da XP apresentavam desvalorização superior a 45%, e as do Nubank perdiam cerca de 20%. Os percentuais correspondiam às negociações anteriores à abertura regular do mercado americano.

A pressão também atingiu os contratos futuros do real negociados na Bolsa de Chicago, nos Estados Unidos. Durante a madrugada, a moeda brasileira chegou a apresentar desvalorização superior a 10%, levando o dólar futuro ao equivalente a R$ 5,58. Essa cotação, no entanto, não corresponde ao dólar comercial negociado no Brasil, mas aos contratos utilizados por investidores para antecipar movimentos do mercado.

O cenário contrasta com a reação registrada após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Na ocasião, Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula, e o mercado respondeu com valorização das ações brasileiras e queda do dólar. No pregão seguinte, o Ibovespa avançou 7,70%, enquanto a moeda americana recuou 4,11%, encerrando o dia próxima de R$ 5. Com a vitória de Lula no segundo turno, parte desses ganhos passou a ser revertida.

Além do câmbio, os juros futuros apresentaram forte elevação. Por volta das 9h10, a taxa dos contratos com vencimento em janeiro de 2027 subia para 13,983%, enquanto os contratos para janeiro de 2031 alcançavam 14,460%. O movimento reflete a maior percepção de risco entre investidores, principalmente em relação à situação fiscal brasileira e às medidas que poderão ser adotadas durante o próximo mandato presidencial.

Diante da volatilidade, a B3 ampliou temporariamente os limites de oscilação de contratos futuros e fundos de índice negociados na Bolsa brasileira. A medida permite maiores variações antes que determinados ativos atinjam os limites estabelecidos para o pregão. Analistas também passaram a acompanhar a possibilidade de acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações do mercado acionário em situações de quedas acentuadas.

Especialistas ouvidos por veículos econômicos avaliam que a reação está relacionada à necessidade de reavaliar as expectativas sobre os gastos públicos, a inflação e o equilíbrio das contas do governo. Apesar da forte queda inicial, alguns analistas consideram que os fundamentos econômicos brasileiros continuam oferecendo oportunidades de investimento. O comportamento dos ativos nos próximos dias dependerá, entre outros fatores, das sinalizações da equipe econômica e das expectativas para o novo mandato.

A valorização do dólar também pode produzir reflexos na economia brasileira caso seja mantida por um período prolongado. A moeda americana mais cara tende a elevar os custos de produtos importados, insumos industriais e mercadorias negociadas internacionalmente, podendo pressionar a inflação. Por outro lado, empresas exportadoras podem se beneficiar da conversão de receitas em dólar para reais. Os efeitos sobre os preços ao consumidor dependerão da duração e da intensidade da alta cambial.

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