Cinema

E o mundo ainda comenta a Odisseia, quase 3 mil anos depois

O mundo todo está comentando a Odisseia, inclusive a de Nolan. Quem viu ou não o filme tem algo a dizer ou a questionar, provando de que há obras que resistem ao tempo.

Por: Emerson Medina
30 de Julho de 2026
Foto: Divulgação

O Mundo inteiro está falando de a Odisseia de Christopher Nolan que ainda está nos cinemas. Mas se você ainda não conseguiu aquele tempo e aquela disposição de encarar 3 horas de telona, há outras opções ‘em casa’ para ajudar a se inteirar da história. Vale também para quem já viu e está ainda tomado pelo hype e querendo se aprofundar na saga de Ulisses, o que, aliás vem acontecendo muito também.

A primeira dica é “Ulisses” (1954 – Mário Camerini) com Kirk Douglas no papel título e Anthony Quin como Antínoo. Filme clássico não chega a ser uma produção de Hollywood pois foi filmado na Itália em estúdios de Roma e com cenas externas em ilhas do Mediterrâneo, alguns locais inclusive descritos na rota do poema épico de Homero.

A minissérie televisiva A Odisseia de 1997 é outra produção europeia com Armand Assante no papel título. A obra se destaca por dar mais protagonismo aos deuses, principalmente ao papel de Athena no socorro a Ulisses. Outra curiosidade é que a série foi compilada em um longa-metragem que girou as tardes dos canais da TV aberta brasileira.

E mais recentemente temos “O Retorno” (2024 – Uberto Pasolini) é estrelado por Ralph Fiennes (Ulisses) e Juliete Binoche (Penélope) e se atém aos eventos passados em Ítaca. O Ulisses de Fiennes é um homem descrente de si que precisa recuperar sua motivação antes de “retornar” de fato, ainda que isso signifique manter a guerra e a violência sempre com ele. O filme foi gravado em locações da Grécia e de Roma, na Itália.

Extras

No Youtube você encontra uma das primeiras adaptações que se tem conhecimento dos poemas épicos. “L´Odissey é um filme mudo de 1911, dirigido por Francesco Bertolini, Giuseppe de Liguoro e Adolfo Padovan. É pioneiro em trazer monstros, Polifemo e as sereias, considerando os efeitos práticos e possíveis para a época.

Muito citado em a Odisseia, os eventos da Guerra de Tróia compõem um outro épico atribuído a Homero, a Ilíada. E o filme “Troia” (2004 – Wolfgang Petersen) com Eric Bana e Brad Pitt é facilmente encontrado nos streamings.

Há inúmeras versões do épico para os quadrinhos com artistas e formatos diversos, mas uma das mais icônicas edições é sem dúvida é “Ulisse”, quadrinho francês da década de 1960 da dupla Lob e Pichard e que une mitologia com elementos de ficção científica e um visual psicodélico que dominou a estética da época.

Legado

Seja em filme, série, musical como o da Disney ou quadrinhos, os poemas atribuídos a Homero 2,8 mil anos atrás ainda ecoam no mundo atual. Para quem ainda duvida do poder e da influência (e da necessidade) das artes e da cultura, em 2026, as pessoas saem da sala de cinema comentando sobre guerras, paixões, fidelidade, traições, feridas abertas e cicatrizes, culpa e obstinação, resiliência, amor... tudo isso facilmente encontrados em toda a obra.

A Odisseia inspirou arte, mas também tratados sobre a guerra, a filosofia, a psicologia e a psicanálise. Na narrativa, cada parada significa um desafio maior a ser superado até a chegada à Ítaca, o que no roteiro vai ser conhecido como “escalada” do conflito. 

É alentador que nesses dias tão ordinários que vivemos tenhamos esses faróis cuja luz continua a nos iluminar, mesmo tendo sido acesos há quase 3 mil anos. Que bem faz a nós conhecer autores como Homero, Shakespeare, Dumas, Júlio Verne, H. G. Wells, Victor Hugo, Dostoievski, Tolkien, Orwell e alguns outros que pegaram esse conjunto de funções animais, instinto primal e emoções que compõem a humanidade e recriaram esses elementos em forma de comédia, drama, terror ou romance, transformando matéria em luz.

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