Avanço supera expectativas do mercado e é impulsionado pelo consumo das famílias, investimentos privados e gastos públicos; inflação apresenta desaceleração.
A economia dos Estados Unidos registrou crescimento anualizado de 3,4% no terceiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Departamento de Análise Econômica (BEA). O resultado representa uma aceleração em relação aos 2,2% registrados entre abril e junho e supera as expectativas dos analistas, que projetavam expansão próxima de 3,1%. O desempenho foi impulsionado pelo aumento dos investimentos privados, pelo consumo das famílias e pelos gastos do governo, demonstrando a resistência da maior economia do mundo diante das pressões inflacionárias.
O crescimento dos investimentos privados foi um dos principais fatores responsáveis pelo resultado positivo. O avanço ocorreu especialmente na ampliação dos estoques comerciais e na aquisição de equipamentos tecnológicos, como computadores. Os investimentos ligados à inteligência artificial, incluindo chips e centros de processamento de dados, também contribuíram para o desempenho da economia americana.
O consumo das famílias permaneceu aquecido entre julho e setembro. No setor de serviços, os maiores destaques foram as despesas com saúde e restaurantes. Já entre os bens de consumo, a compra de medicamentos ajudou a sustentar a atividade econômica. O comportamento dos consumidores reforçou a demanda interna, considerada um dos principais motores do crescimento dos Estados Unidos.
Os gastos públicos também contribuíram para a expansão do Produto Interno Bruto. Por outro lado, a queda nas exportações, especialmente de petróleo e derivados, compensou parte dos ganhos registrados no período. O aumento das importações também exerceu influência negativa sobre o cálculo do indicador.
Os dados mostram que a economia americana conseguiu manter um ritmo de crescimento superior ao do trimestre anterior, apesar das incertezas relacionadas ao comércio internacional e aos custos de energia. A taxa de 3,4% é anualizada, ou seja, representa quanto a economia cresceria em um ano caso mantivesse o mesmo ritmo observado no trimestre.
A inflação também apresentou sinais de desaceleração. O indicador de preços relacionado ao Produto Interno Bruto avançou 2,1% no terceiro trimestre, abaixo dos 5% registrados no período anterior. Já o núcleo do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), que exclui alimentos e energia, subiu 2,5%, após alta de 3,3% entre abril e junho.
Apesar da redução do ritmo de aumento dos preços, a inflação continua sendo motivo de atenção para o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos. O resultado econômico poderá influenciar as próximas decisões sobre juros, já que o crescimento da atividade e a persistência das pressões inflacionárias são fatores considerados pela autoridade monetária.
O avanço do PIB também ocorre em meio à expansão dos investimentos em infraestrutura tecnológica. A demanda por inteligência artificial tem estimulado a construção de centros de dados e a aquisição de equipamentos de alto desempenho, ajudando a sustentar a atividade econômica mesmo em setores que enfrentam custos elevados de financiamento.