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Egito alerta Israel que deslocamento em massa de Gaza é "linha vermelha"

Cairo rejeita expulsão de palestinos e reforça negociações por cessar-fogo.

19 de Agosto de 2025
Foto: MOHAMMED SALEM / Divulgação

O ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, afirmou na última segunda-feira (18) que qualquer deslocamento em massa de palestinos da Faixa de Gaza para território egípcio é uma “linha vermelha” que não será tolerada. A declaração, feita em entrevista à CNN em Al-Arish, no Norte do Egito, reforça a posição de Cairo em meio às negociações de cessar-fogo no enclave palestino.

“Não aceitaremos, não participaremos e não permitiremos que aconteça”, disse Abdelatty. Para ele, a expulsão forçada representaria um “bilhete só de ida” para os palestinos, levando à “liquidação” da causa. O chanceler ressaltou que o Egito está atuando por diferentes canais para aliviar o sofrimento da população de Gaza, mas sem aceitar medidas que comprometam sua segurança nacional ou soberania.

Embora Israel não tenha apresentado um plano oficial sobre o futuro de Gaza após a guerra, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e outros líderes israelenses já defenderam a transferência de palestinos para outros países. A proposta ganhou força no início do ano após ser sugerida pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Atualmente, mais de dois milhões de palestinos estão sitiados em Gaza, sob risco de fome, segundo a ONU. Israel rejeita a acusação de usar a privação de alimentos como arma de guerra e afirma que tem permitido a entrada de ajuda humanitária. O Egito, único ponto de saída terrestre de Gaza, denuncia restrições impostas por Tel Aviv que mantêm milhares de caminhões parados na fronteira de Rafah.

Questionado se a crise poderia ameaçar o tratado de paz com Israel, Abdelatty garantiu que o Egito respeita seus compromissos, mas advertiu: “Qualquer tipo de deslocamento seria um grande risco e não permitiremos que nenhuma parte arrisque nossa segurança nacional”.

O ministro ainda acusou parte do gabinete israelense de extrema-direita de defender a “expansão da guerra” e a “emigração forçada” de palestinos, o que, segundo ele, equivale a uma limpeza étnica. Apesar das dificuldades, afirmou que negociações continuam no Cairo com representantes do Hamas, Catar, Estados Unidos e Israel em busca de um acordo abrangente que envolva cessar-fogo, libertação de reféns, retorno de prisioneiros palestinos e fluxo de ajuda humanitária.

Abdelatty acrescentou que o Egito está disposto a contribuir com uma força internacional em Gaza, desde que sob mandato do Conselho de Segurança da ONU e parte de um plano político mais amplo que leve à criação de um Estado palestino.

Enquanto as conversas seguem, a Anistia Internacional acusou Israel de conduzir uma “campanha deliberada de fome” em Gaza, com a intenção de destruir sistematicamente a saúde e o tecido social palestino. Segundo Abdelatty, cerca de 5 mil caminhões de ajuda humanitária aguardam autorização para entrar no território.

 

Com informações da Agência de Noticias RTP.

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