Domingo, (06 de Setembro de 2026)
Meio Ambiente

El Niño pode agravar seca no Amazonas em 2027, alerta SGB

Fenômeno deve manter chuvas abaixo da média até março e comprometer recuperação dos rios.

Por: Portal Amz em Pauta
02 de Setembro de 2026
Foto: Bruno Kelly / Reuters

Os efeitos do El Niño estabelecido em 2026 podem se prolongar até o primeiro trimestre de 2027 e contribuir para uma seca mais intensa no Amazonas no próximo ano. A projeção foi apresentada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) durante o Alerta de Vazante 2026, realizado nesta terça-feira (1º), em Manaus, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Segundo o SGB, os principais modelos de previsão indicam chuvas abaixo da média até março de 2027. O cenário pode prejudicar a recuperação dos rios durante o período de enchente e reduzir a quantidade de água disponível antes da próxima estiagem.

“Praticamente todos os modelos de previsão de precipitação para os trimestres já apontam que até o trimestre janeiro, fevereiro e março nós teremos chuvas abaixo da média. Então, isso vai impactar a seca desse ano e, também, vai impactar a recarga, ou seja, o processo de enchente do ano que vem", explicou o pesquisador André Martinelli, gerente de Hidrologia e Gestão Territorial do SGB.

O órgão também prevê que os rios continuem baixando com maior intensidade durante a estiagem de 2026. De acordo com Martinelli, alguns cenários apontam para níveis semelhantes aos registrados na seca de 2010, considerada a terceira maior da série histórica até ser superada pelos eventos de 2023 e 2024.

“Nos cenários que a gente colocou, ficariam cotas que já trariam um prejuízos principalmente para o setor logístico da cidade, a níveis ali na ordem de grandeza da seca de 2010, que foi a terceira maior, e só foi superada em 2023 e 2024", explicou.

Os rios amazonenses já apresentam níveis inferiores aos registrados no mesmo período do ano passado. Nesta terça-feira, o Rio Negro estava em 24,09 metros em Manaus, após recuar 10 centímetros em um dia. A cota é 2,59 metros menor que a observada na mesma data de 2025.

Em Itacoatiara, o Rio Amazonas marcava 9,95 metros, contra 12,13 metros no mesmo período do ano anterior. Em Tabatinga, o Solimões estava em 3,06 metros, enquanto em Coari o nível era de 13,21 metros. As duas localidades também registravam cotas abaixo das observadas em 2025.

A estiagem já começa a causar impactos em municípios do interior. São Paulo de Olivença e Benjamin Constant estão em situação de emergência reconhecida pela Defesa Civil do Amazonas. Outros 16 municípios estão em estado de alerta, sete em atenção e 37 permanecem em situação considerada normal.

Com a possibilidade de prolongamento do El Niño e menor volume de chuvas até o início de 2027, o SGB acompanha a evolução dos rios Negro, Solimões, Amazonas e Madeira. O cenário preocupa principalmente pela possibilidade de impactos no transporte fluvial, abastecimento e deslocamento de comunidades que dependem dos rios no estado.

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