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Eleições Venezuela: População vota sob tensão, oposição boicota eleições e governo tenta consolidar poder

Eleitores irão escolher neste domingo novos governadores e deputados estaduais e federais. Mas oposicionistas fizeram campanha por abstenção para deslegitimizar regime de Maduro.

25 de Maio de 2025
Foto: Divulgação

Neste domingo (25), os venezuelanos voltam às urnas em meio a uma crise política prolongada e um cenário de grande desconfiança popular. Serão eleitos deputados estaduais, 285 deputados federais e os 24 governadores do país, incluindo, pela primeira vez, o da disputada região de Essequibo, alvo de conflito com a Guiana.

A eleição marca o primeiro grande pleito desde a controversa disputa presidencial do ano passado, na qual Nicolás Maduro se declarou vencedor apesar de fortes indícios de vitória da oposição. Agora, o governo tenta consolidar seu domínio político enquanto a oposição aposta em uma nova tática: o boicote às urnas.

Liderada por María Corina Machado, a oposição pediu publicamente que os eleitores não participem das eleições regionais. Segundo ela, o processo eleitoral serve apenas para legitimar o que chamou de "ditadura disfarçada de democracia", após o que considera ter sido uma fraude nas eleições de julho de 2024.

Do lado governista, Nicolás Maduro intensificou sua campanha com comícios e presença nas ruas. Seu filho, Nicolás Maduro Guerra, é candidato a deputado em Caracas, simbolizando a tentativa do regime de perpetuar sua influência no Legislativo e nos governos locais.

Uma pesquisa recente da empresa venezuelana Delphos revelou que apenas 15,9% da população declarou alta probabilidade de votar. Entre esses, mais de 74% afirmaram que escolherão candidatos ligados ao Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), legenda do governo.

A abstenção, no entanto, pode não surtir o efeito esperado. Para o professor David Smilde, especialista em Venezuela na Universidade de Tulane, a tática pode sair pela culatra. "O governo vai vencer com facilidade e dirá que a oposição se recusou a participar", alertou.

A percepção de descrença nas urnas é compartilhada por muitos venezuelanos. "Perdemos a confiança no voto", afirmou Carmen Medina, vendedora de bijuterias em Caracas. "Não pretendo votar." Para o sociólogo Roberto Briceño, o país vive uma “tristeza persistente em relação ao futuro”.

A oposição alega que as eleições são controladas por instituições dominadas pelo chavismo. Um exemplo é o Conselho Nacional Eleitoral, que recentemente retirou das atas eleitorais impressas o código QR que permitia rastrear os resultados. A ferramenta havia sido usada em 2024 para contestar a vitória oficial de Maduro.

A líder María Corina Machado, que continua fazendo campanha virtual para evitar prisão ou exílio, também viu aliados serem alvos do regime. Na sexta-feira (23), o opositor Juan Pablo Guanica foi preso, acusado pelo governo de planejar um atentado terrorista durante as eleições.

Com um eleitorado descrente, instituições contestadas e denúncias de perseguição política, a Venezuela enfrenta mais uma eleição cercada de incertezas, que poderá aprofundar ainda mais a crise democrática no país.

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