ONU alerta para risco de morte de 14 mil bebês em 48 horas por fome extrema; Reino Unido e União Europeia reagem a bloqueio israelense.
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta quarta-feira (21) que chegaram a um acordo com Israel para permitir a entrega urgente de ajuda humanitária à Faixa de Gaza. A iniciativa surge em meio a um agravamento da crise humanitária no território palestino, onde a escassez de alimentos ameaça a vida de milhares.
A situação é tão crítica que, na véspera, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou um alerta dramático: 14 mil bebês poderiam morrer de fome no enclave nas próximas 48 horas.
No mesmo dia, o governo do Reino Unido anunciou a suspensão das negociações sobre comércio com Israel e convocou o embaixador israelense em Londres, como forma de protesto diante do bloqueio contínuo à entrada de ajuda humanitária.
Apesar dessas pressões internacionais, os ataques israelenses continuam intensamente, mesmo após o posicionamento britânico. A União Europeia também declarou que irá reavaliar seus laços políticos e econômicos com Israel, diante da deterioração da situação humanitária em Gaza.
De acordo com a agência de notícias estatal WAM, dos Emirados Árabes Unidos, o chefe da diplomacia do país, Abdallah ben Zayed Al-Nahyane, "falou por telefone com Gideon Saar, ministro israelense dos Negócios Estrangeiros, o que levou a um acordo que autoriza a entrega de ajuda humanitária urgente a partir dos Emirados Árabes Unidos".
A nota acrescenta ainda: "A ajuda irá inicialmente satisfazer as necessidades alimentares de cerca de 15 mil civis na Faixa de Gaza".
A notícia chega em um momento em que Israel é acusado por diversas organizações internacionais de estar cometendo genocídio em Gaza, por impedir a entrada de assistência humanitária e realizar uma operação vista como limpeza étnica.
Retomada limitada
No início da semana, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que Israel precisava evitar a fome em Gaza "por razões diplomáticas", e anunciou uma retomada limitada da ajuda ao território palestino.
Segundo ele, "imagens de fome em massa" poderiam afetar a legitimidade do esforço de guerra israelense. Netanyahu afirmou que autorizou a entrada de 93 caminhões da ONU com mantimentos, embora, segundo dados das Nações Unidas, apenas algumas dezenas desses veículos tenham conseguido acesso efetivo à região.
Mesmo com essa liberação parcial, a ofensiva israelense continua intensa. De acordo com autoridades de saúde palestinas, os ataques aéreos da última noite mataram 85 pessoas. O Exército de Israel alegou ter atingido um centro de comando do Hamas, e afirmou que os civis foram previamente alertados.
União Europeia sinaliza revisão de pacto
Na noite de terça-feira, a União Europeia anunciou que irá revisar o pacto que regula seus laços políticos e econômicos com Israel, em função da situação "catastrófica" em Gaza. A revisão pretende avaliar se Israel está cumprindo a cláusula de Direitos Humanos presente no acordo.
Kaja Kallas, alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros, declarou que a maioria dos ministros europeus reunidos em Bruxelas apoiou a reavaliação do pacto, à luz da escalada humanitária em Gaza.
"A situação em Gaza é catastrófica. A ajuda que Israel autorizou a entrar é, naturalmente, bem-vinda, mas é uma gota no oceano. A ajuda deve fluir imediatamente, sem obstruções e em grande escala, porque é isso que é necessário", afirmou Kallas à imprensa.
Israel reage às críticas
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel respondeu com veemência às críticas de Bruxelas. Em publicação na rede social X, afirmou: "Rejeitamos completamente a direção tomada na declaração [de Kallas], que reflete uma total incompreensão da complexa realidade que Israel enfrenta".
A nota ainda acrescenta: "Ignorar estas realidades e criticar Israel apenas endurece a posição do Hamas e encoraja o Hamas a manter as suas armas", agradecendo também aos países que apoiaram Israel durante a reunião da UE.
"Apelamos à UE para que exerça pressão onde ela deve ser exercida: sobre o Hamas", prosseguiu a chancelaria israelense.
Por fim, o ministério reiterou que "esta guerra foi imposta a Israel pelo Hamas, e o Hamas é o único responsável pela sua continuação. Israel concordou repetidamente com as propostas americanas de um cessar-fogo e de libertação dos reféns. O Hamas recusou todas e cada uma dessas propostas".
A situação segue crítica, e o mundo acompanha com crescente preocupação os desdobramentos da crise humanitária em Gaza.
Com informações da Agência RTP.