Terça-Feira, (29 de Setembro de 2026)
Economia

Emprego bate recorde, mas inadimplência também avança no Brasil

País chega a 103,5 milhões de ocupados, enquanto atrasos no crédito atingem maior nível da série histórica.

Por: Portal Amz em Pauta
29 de Setembro de 2026
Foto: Reprodução

O mercado de trabalho brasileiro segue aquecido, mas o avanço do endividamento acende um sinal de alerta para as famílias. Dados divulgados nesta terça-feira (29) mostram que o país alcançou 103,5 milhões de pessoas ocupadas no trimestre encerrado em agosto, o maior número da série histórica, enquanto a inadimplência nas operações de crédito chegou a 5%, também em nível recorde.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego ficou em 5,3% no período, abaixo dos 5,6% registrados tanto no trimestre encerrado em maio quanto no mesmo período de 2025. Ao todo, 5,8 milhões de pessoas estavam desocupadas. O número de trabalhadores com carteira assinada chegou a 39,5 milhões, enquanto 13,7 milhões atuavam sem carteira e 26,1 milhões trabalhavam por conta própria.

Apesar dos números positivos no emprego, economistas apontam sinais de perda de ritmo. O crescimento recente da ocupação ficou concentrado principalmente na construção e na indústria, enquanto outros setores permaneceram estáveis. “A taxa de desemprego segue baixa e estável, mas o ritmo de criação de vagas perdeu força. Além disso, a sequência de quedas da massa salarial merece acompanhamento mais próximo, por ser um cenário menos favorável para o consumo das famílias”, afirmou Leonardo Costa, economista do ASA Investimentos.

Ao mesmo tempo, dados do Banco Central mostram piora na situação do crédito. A inadimplência média subiu de 4,9% em julho para 5% em agosto, maior patamar desde o início da série, em março de 2011. Entre as pessoas físicas, o índice passou de 5,8% para 6%, também recorde. Já entre as empresas, permaneceu em 3,3%, maior nível desde outubro de 2017.

Para a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, a combinação de desemprego baixo com crescimento concentrado em poucos setores pode indicar enfraquecimento gradual do mercado de trabalho. “O mercado de trabalho tende a responder com atraso à desaceleração da atividade, e os primeiros efeitos do aperto dos juros aparecem sobre o ritmo de contratação antes de alcançarem o estoque de empregos”, explica.

O cenário fiscal também entrou no radar. O Tesouro Nacional informou que o governo registrou déficit primário de R$ 13,58 bilhões em agosto. Apesar do resultado negativo, houve melhora em relação ao mesmo mês de 2025, quando o déficit havia sido de R$ 16,2 bilhões, em valores corrigidos pela inflação. Foi o melhor resultado para agosto desde 2021.

Os sinais de desaceleração da economia aumentam as expectativas por novos cortes na taxa básica de juros. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo. Ainda assim, o Banco Central reforçou que seguirá adotando cautela diante das incertezas sobre inflação, atividade econômica e contas públicas.

Com emprego em nível recorde, mas crédito mais caro e inadimplência em alta, o cenário mostra um contraste na economia brasileira: mais pessoas trabalhando, porém com maior dificuldade para manter as contas em dia.

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