Investigação da PF apura se houve vazamento em pré-testes; MEC afirma que protocolos foram seguidos.
A anulação de três questões do Enem 2025 reacendeu o debate sobre a segurança do exame e expôs uma possível quebra de confidencialidade na fase de pré-testes. A decisão ocorreu após repercussão de uma live exibida cinco dias antes da prova, em que o estudante Edcley Teixeira mostrou itens semelhantes aos aplicados no segundo dia do exame.
Segundo o MEC, a identificação das questões ocorreu após análise técnica que apontou “similaridades incomuns” entre perguntas exibidas na internet e itens presentes no Banco Nacional de Itens. Para preservar a integridade do Enem, o Inep retirou os itens da correção e acionou a Polícia Federal para investigar a origem da divulgação.
A live que desencadeou a polêmica foi apresentada como um estudo preditivo. Edcley afirmou ter usado padrões estatísticos da TRI e memórias de pré-testes e de outras avaliações para prever quais temas seriam cobrados. Ele nega ter tido acesso ilegal às questões e sustenta que não assinou termos de confidencialidade ao participar de testes anteriores.
O Inep, por sua vez, reforça que todos os participantes de pré-testes devem seguir regras de sigilo e que a investigação vai esclarecer se houve violação ou uso indevido de informações privilegiadas. A pasta também afirma que as questões mostradas pelo estudante não eram idênticas às da prova, mas apresentavam aproximações que justificaram a anulação.
Com a abertura do inquérito, o MEC busca garantir segurança jurídica ao processo e afastar dúvidas sobre a credibilidade do Enem. A expectativa é que o resultado da apuração aponte se houve falha operacional, quebra de sigilo ou simples coincidência estatística, enquanto candidatos aguardam novos esclarecimentos sobre eventuais impactos na correção e no cronograma do exame.