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Escudo de Chernobyl perde função de contenção após ataque de drones, diz AIEA

Agência da ONU alerta que danos estruturais exigem reforma urgente para evitar novos riscos.

07 de Dezembro de 2025

Fragmentos de um drone que atingiu o Novo Confinamento Seguro na Zona de Exclusão de Chernobyl após o ataque de 14 de fevereiro.

Foto: Artem Derkachov / Frontliner / Getty Images via CNN Newsource

O escudo protetor construído ao redor do local do desastre nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, não consegue mais cumprir sua função de confinar resíduos radioativos devido a um ataque de drone no início deste ano, disse a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica da ONU).

O Novo Confinamento Seguro (NSC, na sigla em inglês) em Chernobyl, que foi “severamente danificado” pelo ataque de drone em fevereiro, “perdeu suas principais funções de segurança, incluindo a capacidade de confinamento”, afirmou a AIEA em comunicado na última sexta-feira (5). A Ucrânia acusou a Rússia de realizar o ataque de 14 de fevereiro em Chernobyl, o que o Kremlin negou.

O ataque atingiu o NSC, provocando um incêndio e danificando o revestimento protetor ao seu redor, informou a AIEA. A agência de vigilância nuclear recomendou uma grande reforma da enorme estrutura de aço, instalada há alguns anos para permitir operações de limpeza e garantir a segurança do local quase quatro décadas após o pior acidente da história em uma usina nuclear.

“Reparos temporários limitados foram realizados no teto, mas uma restauração oportuna e abrangente continua essencial para evitar maior degradação e garantir a segurança nuclear a longo prazo”, disse o Diretor-Geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi. Ele acrescentou que não houve danos permanentes às estruturas de sustentação de carga do NSC ou aos sistemas de monitoramento.

A AIEA, que mantém presença permanente no local, “continuará fazendo todo o possível para apoiar os esforços de restauração completa da segurança nuclear”, afirmou Grossi.

Não é a primeira vez que Chernobyl está em evidência durante os quase quatro anos de guerra da Rússia na Ucrânia. As forças russas tomaram a usina nuclear e sua área circundante nos primeiros dias da invasão em grande escala de Moscou, dominando a instalação em fevereiro de 2022 e mantendo funcionários como reféns. Elas deixaram a usina e devolveram o controle ao pessoal ucraniano pouco mais de um mês depois.

O NSC é uma estrutura maciça de aço em forma de arco construída no local de Chernobyl para cobrir o reator número 4 destruído e conter seu material radioativo. Como a maior estrutura móvel terrestre do mundo, o colossal hangar é considerado uma façanha monumental da engenharia.

Construída em 2010 e finalizada em 2019, a estrutura foi projetada para durar 100 anos e tem desempenhado um papel crucial na segurança do local. O projeto custou €2,1 bilhões e foi financiado por contribuições de mais de 45 países e organizações doadoras por meio do Fundo de Proteção de Chernobyl, segundo o Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento, que em 2019 celebrou o empreendimento como “a maior colaboração internacional já realizada no campo da segurança nuclear”.

Em 26 de abril de 1986, uma explosão destruiu o reator nº 4 de Chernobyl, na então União Soviética, espalhando radioatividade por grandes extensões da Ucrânia, Belarus, Rússia e outros países. Mais de 30 pessoas morreram na cidade próxima de Pripyat, com muitas outras sofrendo sintomas decorrentes da exposição à radiação. As taxas de defeitos congênitos e câncer entre os residentes das áreas afetadas continuam elevadas, segundo a AIEA e a Organização Mundial da Saúde.

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