Consumo entre jovens preocupa e estudos apontam efeitos também em homens e mulheres.
O uso de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes ou pods, tem gerado preocupação entre especialistas diante do crescimento do consumo, principalmente entre a população jovem. Embora tenham sido apresentados como alternativa ao cigarro tradicional por produzirem vapor em vez de fumaça, o texto destaca que a premissa de segurança vem sendo questionada por evidências acumuladas nos últimos anos, incluindo possíveis impactos na saúde em geral e na fertilidade.
O artigo lembra que os riscos do fumo convencional já eram associados a doenças graves desde a década de 1950, o que levou a campanhas antifumo e restrições em ambientes fechados. A partir de 2004, os cigarros eletrônicos passaram a ganhar espaço com a promessa de reduzir danos por não envolverem a combustão de tabaco e papel, responsável por liberar substâncias nocivas como alcatrão, nicotina e monóxido de carbono.
Apesar disso, o texto aponta que as composições dos dispositivos variam entre marcas e nem sempre são claramente definidas. Há registros de mais de 80 componentes detectados entre líquidos e aerossóis, além da presença de aromas e sabores que podem aumentar a toxicidade. O aquecimento dos elementos gera oxidação e decomposição, aumentando os riscos da inalação em um mercado que reúne mais de 500 marcas e mais de 8 mil opções de sabores.
O artigo ressalta que, mesmo em indivíduos saudáveis, há relatos de aumento do ritmo cardíaco, da pressão arterial média, do estresse oxidativo, de alterações no epitélio respiratório e de maior resistência ao fluxo de ar para os pulmões. Outro ponto destacado é que, mesmo quando divulgados como “sem nicotina”, alguns produtos podem apresentar concentrações elevadas da substância, com potencial de atingir até 1.500 tragadas. Nesse cenário, o texto afirma que um cigarro eletrônico poderia ter equivalência de tragadas semelhante a cinco maços de cigarro convencional.
Na saúde reprodutiva, o artigo cita estudos indicando redução da motilidade de espermatozoides em consumidores de cigarros eletrônicos com sabor de canela e chiclete, inclusive em versões “sem nicotina”. A presença de metais nos componentes também é apontada como fator de risco para ambos os sexos. No caso das mulheres, o texto destaca que índices de chumbo podem estar relacionados a abortos espontâneos e malformações congênitas.
O vapor dos cigarros eletrônicos é descrito como mistura de diversos compostos, incluindo o formaldeído, substância potencialmente tóxica, com estudos em modelos animais e possíveis impactos na espermatogênese humana, na maturação folicular, na implantação e no desenvolvimento embrionário. Ao final, o texto conclui que o vape está longe de ser uma alternativa segura ao cigarro convencional e afirma que pessoas que tentam engravidar ou que passam por tratamentos de reprodução assistida devem ser alertadas sobre os possíveis impactos do uso desses dispositivos.