Terça-Feira, (03 de Novembro de 2026)
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EUA cobram libertação de 322 presos políticos na Venezuela

Reunião entre Marco Rubio e chanceler venezuelano também discutiu reformas eleitorais e a possibilidade de novas eleições no país em 2027.

Por: Portal Amz em Pauta
03 de Novembro de 2026
Foto: Manuel Balce Ceneta/Associated Press.

Os Estados Unidos intensificaram a pressão sobre a Venezuela para que sejam libertadas as 322 pessoas que continuam presas por motivos políticos no país. A cobrança foi feita pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, durante uma reunião com o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Oliver Blanco, realizada na segunda-feira (2), em Washington. O encontro também abordou mudanças institucionais consideradas necessárias para garantir eleições livres, justas e confiáveis no território venezuelano.

Segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, Rubio defendeu a continuidade das libertações de presos políticos e discutiu com Blanco os avanços das negociações de reconciliação nacional. O governo americano também reafirmou seu plano para a Venezuela, dividido em três etapas: estabilização, recuperação econômica e reconciliação política, seguidas de uma transição democrática.

De acordo com a organização de direitos humanos Foro Penal, a Venezuela mantinha 322 presos políticos até 26 de outubro de 2026. Desse total, 182 eram civis e 140 militares. A entidade também identificou 171 pessoas sem condenação judicial e 151 já condenadas. Apesar das libertações realizadas ao longo do ano, a organização alerta que ainda existem detenções por motivos políticos no país.

Desde janeiro, mais de mil pessoas foram libertadas, conforme os registros do Foro Penal. As solturas ocorreram após a operação militar americana que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. O ex-governante foi levado aos Estados Unidos, onde enfrenta acusações relacionadas ao tráfico de drogas, que ele nega. Após sua retirada do poder, a então vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente a Presidência venezuelana.

A situação dos presos políticos é uma das principais reivindicações da oposição venezuelana. A líder opositora María Corina Machado, que retornou ao país em outubro, tem defendido a libertação dos detidos e a realização de novas eleições. A oposição também cobra garantias de participação política e mudanças nas instituições responsáveis pela organização do processo eleitoral.

A crise política venezuelana se agravou após a eleição presidencial de 2024. Na ocasião, o Conselho Nacional Eleitoral declarou Nicolás Maduro vencedor, mas a oposição contestou o resultado e apresentou atas eleitorais que indicariam a vitória de seu candidato. Organizações internacionais, como o Centro Carter, questionaram a transparência e a integridade da votação, enquanto a Organização das Nações Unidas registrou denúncias de repressão contra opositores e críticos do governo.

A realização de novas eleições está entre os principais pontos das negociações. Autoridades venezuelanas e representantes da oposição chegaram a um entendimento preliminar sobre reformas no sistema eleitoral, com a possibilidade de realização de um novo pleito em 2027. Entretanto, ainda não existe uma data oficialmente definida, e persistem divergências sobre as condições necessárias para assegurar uma disputa considerada legítima.

Para o governo do presidente Donald Trump, a Venezuela precisa avançar na reconstrução de suas instituições eleitorais antes de realizar uma nova votação. A administração americana afirma que continuará acompanhando as negociações e pressionando pela libertação dos presos políticos restantes. O governo interino de Delcy Rodríguez, por sua vez, enfrenta o desafio de conciliar as exigências internacionais, as reivindicações da oposição e a reorganização política do país.

 

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