Mundo

EUA colocam Maduro em lista terrorista e ampliam pressão militar regional

Designação inclui aliados do regime venezuelano e abre caminho para novas sanções

25 de Novembro de 2025
Foto: Divulgação

A designação do ditador venezuelano Nicolás Maduro e de seus principais aliados como integrantes de uma organização terrorista estrangeira entrou em vigor nesta segunda-feira (24), ampliando a autoridade do governo dos Estados Unidos para agir contra o regime. A administração Trump aponta o grupo conhecido como Cartel de los Soles como uma estrutura criminosa ligada ao tráfico de drogas e infiltrada no alto escalão das forças armadas venezuelanas.

A classificação transforma o Cartel de los Soles em alvo direto de sanções, permitindo o bloqueio de ativos, restrição de movimentações financeiras e ampliação das investigações sobre membros do governo de Maduro. Especialistas apontam, porém, que a expressão descreve mais um conjunto de funcionários corruptos do que um cartel centralizado nos moldes tradicionais.

Apesar da classificação severa, juristas afirmam que a medida não autoriza automaticamente o uso de força letal pelos Estados Unidos. Ainda assim, membros da administração Trump têm defendido que a designação oferece margem para opções militares ampliadas dentro da Venezuela, caso o presidente decida adotar ações mais agressivas contra o regime de Caracas.

O governo americano sustenta que o Cartel de los Soles opera como uma rede descentralizada de militares venezuelanos envolvidos no tráfico internacional de drogas. Maduro nega consistentemente qualquer ligação com atividades ilícitas, assim como a existência formal do cartel, que parte dos especialistas afirma não ser uma organização estruturada, e sim um termo político criado ao longo dos anos.

A mudança ocorre em meio à intensificação da presença militar dos Estados Unidos no Caribe, onde mais de uma dúzia de navios de guerra e cerca de 15 mil tropas atuam sob a Operação Lança Sul. A campanha antidrogas tem incluído ataques a embarcações suspeitas, que já resultaram na morte de dezenas de pessoas, segundo autoridades americanas.

De acordo com fontes da administração, Trump recebeu relatórios detalhando cenários de ação na Venezuela, que vão desde ataques pontuais a instalações militares ou governamentais até operações especiais. No entanto, a opção de não intervir militarmente permanece em avaliação, sobretudo diante da resistência da opinião pública americana.

Uma pesquisa CBS News/YouGov divulgada no domingo mostrou que 70% dos americanos se opõem a uma ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, enquanto apenas 30% apoiam a iniciativa. Para 76% dos entrevistados, o governo Trump não explicou de maneira clara qual seria a política americana para o país vizinho.

Enquanto mantém aberta a possibilidade de negociação, Trump afirmou recentemente que Maduro estaria disposto a conversar e indicou que poderia dialogar “em determinado momento”. Ao mesmo tempo, a escalada militar continua: na quinta-feira, 20, seis aeronaves americanas sobrevoaram áreas próximas à costa venezuelana, incluindo caças F/A-18E e um bombardeiro B-52, elevando ainda mais o clima de tensão na região.

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.