Representante comercial levou recomendação final a Trump e sinalizou ampliar exceções.
O governo dos Estados Unidos encerrou as negociações sobre a nova tarifa de 25% contra produtos brasileiros e encaminhou a recomendação final ao presidente Donald Trump. A informação foi transmitida pelo representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, a integrantes do governo brasileiro durante reunião virtual realizada na terça-feira (14). A medida ainda depende da decisão presidencial e poderá atingir parte das exportações do Brasil para o mercado americano.
Segundo relatos obtidos pela CNN Brasil, Greer reclamou de uma suposta falta de empenho brasileiro para solucionar as questões levantadas na investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Representantes do Brasil rejeitaram a avaliação e afirmaram que as acusações norte-americanas, especialmente as relacionadas ao desmatamento, não seriam sustentadas pelos dados apresentados pelo país.
A investigação foi aberta com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. O processo envolve temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado brasileiro de etanol, combate à corrupção e desmatamento. Em junho, o USTR concluiu que determinadas práticas brasileiras seriam prejudiciais ao comércio norte-americano e propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25%.
Durante as tratativas, o governo brasileiro apresentou a possibilidade de reduzir tarifas sobre o etanol em troca de maior acesso do açúcar nacional ao mercado dos Estados Unidos. A proposta, porém, não avançou. Greer também informou que não deverá existir uma lista dinâmica de exceções, o que significa que novos produtos não seriam retirados gradualmente da taxação após a divulgação da medida.
Apesar do encerramento das negociações, o representante norte-americano afirmou ter considerado os argumentos apresentados pelo governo e pelo setor privado para ampliar, desde o início, a lista de mercadorias isentas. O Brasil destacou que parte das exportações envolve peças fabricadas no país por subsidiárias de empresas americanas e enviadas às matrizes nos Estados Unidos. O argumento aumentou a expectativa de que produtos industrializados sejam preservados.
A proposta inicial já excluía itens considerados estratégicos, como café, minérios e algumas commodities energéticas. Pelas estimativas apresentadas durante as negociações, a tarifa atingiria cerca de 21% das exportações brasileiras aos Estados Unidos em valores. Embora Greer tenha considerado as tratativas concluídas, ele demonstrou disposição para manter aberto o canal de diálogo com o governo brasileiro.