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EUA indiciam Raúl Castro e aumentam pressão sobre Cuba

Acusação por caso de 1996 ocorre em meio a sanções, tensão militar no Caribe e crise energética na ilha.

Por: Portal Amz em Pauta
21 de Maio de 2026
Foto: Yamil Lage / AFP

Os Estados Unidos indiciaram o ex-presidente cubano Raúl Castro, por acusações relacionadas à derrubada de duas aeronaves da organização de exilados Irmãos ao Resgate, em 1996. O anúncio foi feito pelo Departamento de Justiça dos EUA na quarta-feira (20) e marca uma nova escalada na pressão de Washington contra o governo cubano.

Segundo o Departamento de Justiça, Raúl Castro, que na época era ministro da Defesa de Cuba, é acusado de participação no planejamento e execução da operação militar que resultou na morte de quatro pessoas. A denúncia inclui acusações de homicídio, destruição de aeronaves e conspiração para matar cidadãos norte-americanos. Outros cinco integrantes do regime cubano também foram acusados.

O episódio de 1996 é considerado um dos pontos mais sensíveis da relação entre Estados Unidos e Cuba. As aeronaves derrubadas pertenciam ao grupo Irmãos ao Resgate, formado por exilados cubanos em Miami. A organização dizia atuar no apoio a migrantes que tentavam atravessar o Estreito da Flórida, enquanto Havana acusava o grupo de violar o espaço aéreo cubano.

A acusação ocorre em um momento de forte tensão entre os dois países. Segundo a Reuters, o governo de Donald Trump tem defendido uma mudança de regime em Cuba e ampliado a pressão política e econômica sobre a ilha. A movimentação acontece em meio à crise energética cubana, agravada por dificuldades no abastecimento de combustíveis e por novas restrições impostas pelos Estados Unidos.

Além do indiciamento, a presença do porta-aviões USS Nimitz no Caribe elevou a leitura de risco na região. A agência estatal chinesa Xinhua informou que Trump negou que haverá escalada militar contra Cuba após o indiciamento de Raúl Castro e a chegada da embarcação à região. Ainda assim, a movimentação foi interpretada por analistas como parte de um cenário de pressão crescente sobre Havana.

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel classificou o indiciamento como uma ação política sem base jurídica. O governo de Cuba acusa Washington de usar o caso de 1996 para justificar novas medidas contra a ilha e aumentar a pressão sobre autoridades cubanas em meio às negociações diplomáticas.

A ofensiva ocorre em paralelo a contatos diplomáticos entre os dois países. Reportagens internacionais apontam que autoridades norte-americanas e cubanas mantiveram conversas recentes sobre temas econômicos e de segurança, embora sem avanços públicos significativos. A situação mantém Cuba em uma posição delicada, tentando administrar apagões, crise econômica e pressão internacional ao mesmo tempo em que busca evitar uma escalada militar.

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