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EUA suspendem vacina contra chikungunya após relatos de efeitos graves

Imunizante Ixchiq, feito pela Valneva em parceria com o Butantan, é alvo de investigação.

26 de Agosto de 2025
Foto: Valneva

A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA) anunciou a suspensão da vacina contra chikungunya Ixchiq, desenvolvida pela farmacêutica franco-austríaca Valneva em parceria com o Instituto Butantan, em São Paulo.

Segundo a FDA, a decisão ocorreu após relatos de efeitos colaterais graves em idosos, incluindo 21 hospitalizações e três mortes possivelmente relacionadas ao imunizante, que utiliza uma versão enfraquecida do vírus da chikungunya. Um dos óbitos foi confirmado como causado por encefalite (inflamação cerebral) e diretamente ligado à vacina.

Investigações e restrições

Em maio, tanto a FDA quanto a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) já haviam iniciado investigações sobre a vacina, suspendendo seu uso em idosos: nos EUA, para maiores de 60 anos, e na Europa, para maiores de 65.

No Brasil, a Anvisa autorizou o uso da vacina em abril de 2025 para pessoas entre 18 e 65 anos, mas o imunizante ainda não está disponível no mercado nem no Sistema Único de Saúde (SUS).

Posicionamento da Valneva

A Valneva afirmou que investiga os casos e destacou que três dos quatro novos relatos ocorreram em indivíduos de 70 a 82 anos. A empresa acrescentou que os sintomas registrados são compatíveis com os observados nos ensaios clínicos e no monitoramento pós-comercialização, sobretudo em idosos, público para o qual já havia advertências e precauções na bula.

Butantan reforça segurança

Em nota, o Instituto Butantan ressaltou que acompanha as avaliações internacionais, mas reforçou que Anvisa e EMA mantêm a autorização da vacina.

“A vacina para chikungunya foi avaliada nos Estados Unidos em 4 mil voluntários de 18 a 65 anos, tendo apresentado um ótimo perfil de segurança e alta imunogenicidade: 98,9% dos participantes produziram anticorpos neutralizantes, marcador que denota proteção contra o vírus. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet em junho de 2023”, destacou a instituição.

O Butantan lembrou que a tecnologia de atenuação viral usada na Ixchiq é a mesma aplicada em diversas vacinas tradicionais de alta eficácia utilizadas há décadas.

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