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Ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica morre aos 89 anos

Líder uruguaio enfrentava fase terminal de câncer de esôfago e viveu seus últimos meses sob cuidados paliativos.

13 de Maio de 2025
Foto: Jose Cruz / Agência Brasil

Faleceu nesta terça-feira (13), aos 89 anos, o ex-presidente do Uruguai José "Pepe" Mujica. O político enfrentava um câncer de esôfago em estágio terminal. Em janeiro deste ano, Mujica anunciou publicamente que a doença havia se espalhado por todo o corpo e que, por isso, não seguiria com o tratamento, recebendo apenas cuidados paliativos nos últimos meses de vida. 

Símbolo da esquerda latino-americana e reconhecido mundialmente por sua postura ética, humildade e ideais progressistas, Mujica marcou a política uruguaia e internacional com uma trajetória singular. Foi militante desde jovem e passou mais de 14 anos preso durante a ditadura militar uruguaia. Sua gestão presidencial foi marcada por reformas históricas, como a legalização da maconha e a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. 

José Alberto Mujica Cordano nasceu em maio de 1935, em uma família de classe média baixa de Montevidéu, onde também cresceu e iniciou, sem concluir, o curso de Direito. Nos anos 1960, ingressou no Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros, grupo guerrilheiro de esquerda que combatia o regime militar do país. Por sua atuação política, Mujica foi preso por quase 15 anos, passando longos períodos em solitárias, uma experiência que moldou sua visão de mundo e seu estilo de vida. 

Com a redemocratização do Uruguai, Mujica se uniu ao Movimento de Participação Popular (MPP), que integra a Frente Ampla, coalizão progressista que governou o país por vários mandatos. Antes de ser eleito presidente, foi deputado, senador e ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca durante o governo de Tabaré Vázquez, em 2005. Cinco anos depois, em 2010, venceu as eleições presidenciais. 

Durante seu governo, Mujica conquistou a admiração internacional por seu modo de vida simples: dirigia um Fusca azul, recusou-se a morar na residência oficial e doava parte significativa de seu salário a programas sociais. Apesar da aprovação da lei que autoriza o aborto nas primeiras 12 semanas de gestação, mais de uma década depois da promulgação, médicos em algumas regiões ainda se recusam a realizar o procedimento por objeção de consciência. 

Em 2013, o Uruguai se tornou o primeiro país do mundo a legalizar e regulamentar a produção e o consumo da maconha. A medida permite o cultivo doméstico, criação de clubes de cultivo e a venda da substância em farmácias, restrita aos residentes do país. 

Mesmo após deixar o cargo, Mujica permaneceu como uma figura central no debate político nacional e internacional. Em 2017, em entrevista ao jornalista Pedro Bial, refletiu sobre sua trajetória e o verdadeiro sentido da luta social: 

"A luta por justiça social é, no fundo, solidariedade por aqueles que são oprimidos. Mas, no fundo, é também pelo opressor. Entendíamos que a luta era pelo poder. Não. A luta no sentido mais profundamente progressista é pela civilização humana." 

Já em janeiro de 2025, Mujica declarou publicamente estar em paz com a chegada do fim: afirmou que saía “tranquilo e grato” após ter vivido uma vida “muito boa”, apesar das dificuldades enfrentadas, especialmente os anos na prisão. 

Pepe Mujica deixa sua esposa e companheira de luta política, Lucía Topolansky, com quem compartilhou mais de 50 anos de vida. 

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