O estudo destaca que o Brasil, que abriga 60% da Floresta Amazônica, é um dos países mais impactados pela interseção entre crimes ambientais, tráfico de drogas e mineração ilegal
Um novo relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), divulgado na última terça-feira (8), revelou que a rivalidade entre facções criminosas na Amazônia tem elevado drasticamente as taxas de homicídio na região, superando a média nacional.
Em 2021, os municípios da Amazônia Legal registraram média de 29,6 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto a média nacional ficou em 21,3. A violência, segundo o Unodc, está diretamente ligada à disputa entre facções pelo controle da produção, distribuição e venda de drogas.
O estudo destaca que o Brasil, que abriga 60% da Floresta Amazônica, é um dos países mais impactados pela interseção entre crimes ambientais, tráfico de drogas e mineração ilegal. Esse cenário agrava a crise de segurança pública e ambiental na região.
Uma das práticas mais alarmantes apontadas é o chamado “narco-desmatamento”. Segundo os pesquisadores, grupos criminosos lavam dinheiro do tráfico por meio da especulação fundiária e de investimentos em atividades agrícolas e pecuárias, impulsionando o desmatamento.
O relatório mostra ainda que crimes florestais estão infiltrados em processos legais, dificultando sua identificação e fiscalização. A madeira extraída ilegalmente entra no mercado formal com licenças falsas, subornos e envolvimento de funcionários públicos e empresas cúmplices.
A mineração ilegal também é um foco de preocupação. Entre 2011 e 2021, a atividade em terras indígenas aumentou 625%. Nessas áreas, o desmatamento foi de uma a três vezes maior que em regiões sem mineração. Ainda assim, o relatório reconhece a queda no desmatamento nos últimos três anos.
A situação é especialmente crítica na Terra Indígena Yanomami, onde o grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC) opera atividades de mineração ilegal. A contaminação dos rios por mercúrio afeta drasticamente a saúde e a subsistência das comunidades indígenas.
A chefe de Pesquisa e Análise do Unodc, Angela Me, afirmou que organizações criminosas envolvidas em crimes ambientais também cometem outros delitos, como tráfico de drogas, tráfico de vida silvestre, uso de trabalho infantil e exploração sexual.
Para ela, a solução passa por regulamentações mais rígidas e fiscalização efetiva, capazes de combater essas ameaças interconectadas à biodiversidade, economia e segurança global. O Unodc defende que os sistemas legais sejam constantemente atualizados para enfrentar estratégias criminosas em constante evolução.