Ciência e Tecnologia

Faixa de ferro inédita é identificada na Nebulosa do Anel com novo instrumento

Estrutura atravessa o centro da nebulosa e ainda não tem origem totalmente explicada.

20 de Janeiro de 2026
Foto: Roger Wesson et al / MNRAS

Cientistas identificaram recentemente uma estrutura inédita composta por ferro ionizado no interior da Nebulosa do Anel, um dos objetos mais conhecidos e observados do céu. Apesar de a nebulosa ser estudada há séculos e já ter sido registrada por telescópios modernos, como o James Webb, a formação nunca havia sido detectada e só foi revelada agora graças a um novo tipo de observação.

Nas imagens analisadas, a chamada “faixa” aparece atravessando a região central da nebulosa e se encaixa dentro do anel gasoso que dá nome ao objeto. Segundo os pesquisadores, a estrutura tem comprimento equivalente a cerca de 500 vezes a órbita de Plutão, enquanto a massa total de ferro seria comparável à de Marte.

“Quando processamos os dados e analisamos as imagens, algo ficou imediatamente claro: essa ‘faixa’ até então desconhecida de ferro ionizado, bem no centro do anel”, afirmou Roger Wesson, autor principal do estudo e astrônomo da University College London e da Cardiff University. A quantidade de material concentrada chamou atenção por estar em uma região considerada bem conhecida pelos astrônomos.

A Nebulosa do Anel se formou quando uma estrela semelhante ao Sol chegou ao fim da vida, esgotou seu combustível nuclear e expulsou suas camadas externas ao espaço. Com o tempo, o material ejetado tornou-se uma nuvem de gás iluminada pelo núcleo quente remanescente da estrela, formando a estrutura circular observada hoje, destino considerado provável também para o Sol daqui a alguns bilhões de anos.

A descoberta foi possível com o uso do WEAVE, novo instrumento instalado no telescópio William Herschel, nas Ilhas Canárias. Diferente de câmeras tradicionais, o equipamento permite analisar a luz ponto a ponto e separar os comprimentos de onda, criando um mapa químico detalhado da nebulosa. A partir desses dados, os astrônomos encontraram uma emissão intensa associada ao ferro ionizado, o que revelou a faixa. “O WEAVE nos permitiu observar a nebulosa de uma forma nova, com um nível de detalhe muito maior do que era possível até agora”, acrescentou Wesson.

A origem da estrutura ainda é desconhecida. Uma hipótese é que ela esteja relacionada ao próprio processo de expulsão de material pela estrela, com variações ainda pouco compreendidas. Outra possibilidade considerada mais intrigante pelos cientistas é que o ferro tenha surgido da vaporização de um planeta rochoso, destruído quando a estrela se expandiu antes de morrer.

Para avançar na explicação, os pesquisadores planejam observações com maior resolução e pretendem verificar se outros elementos químicos aparecem associados ao ferro, o que pode indicar se a estrutura veio apenas do material estelar ou se envolve restos de corpos sólidos. A equipe também quer procurar formações semelhantes em outras nebulosas da Via Láctea.

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