Gaeco e Receita Federal investigam uso de fintechs e fundos de investimento em esquema de sonegação e adulteração de combustíveis.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal deflagraram, nesta quinta-feira (28), a Operação Fluxo Oculto, nova fase da Carbono Oculto, para investigar um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis.
A ação cumpre 59 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Segundo a investigação, o objetivo é aprofundar a apuração sobre fraudes, sonegação fiscal, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro por meio de empresas, fintechs e fundos de investimento.
De acordo com os investigadores, mesmo após fases anteriores da Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, o grupo teria mantido operações financeiras para ocultar recursos e dar continuidade ao esquema. A apuração aponta o uso de empresas substitutas, movimentação por diferentes fintechs e concentração de transações de dezenas de postos de combustíveis em poucas contas.
Uma das frentes da operação investiga a chamada engenharia financeira do esquema. Relatórios de inteligência apontam movimentações atípicas de quase R$ 4 bilhões, com uso de plataformas de pagamento para dificultar a identificação da origem e do destino dos valores.
Outra frente apura a adulteração de combustíveis por meio do desvio de solventes petroquímicos, como a nafta, que teriam sido vendidos ilegalmente como gasolina automotiva. Segundo a investigação, empresas de fachada e notas fiscais falsas eram usadas para simular operações comerciais e encobrir o destino real dos produtos.
O prejuízo com sonegação fiscal nessa parte do esquema é estimado em mais de R$ 200 milhões. A apuração também identificou o desvio de mais de 135 milhões de litros de nafta em pouco mais de dois anos.
A terceira frente mira a suspeita de ocultação patrimonial por meio de fundos de investimento. Para os investigadores, essas estruturas teriam sido usadas para mascarar os beneficiários dos recursos obtidos com fraudes no setor de combustíveis.
A Operação Carbono Oculto é considerada uma das maiores investigações sobre crime organizado no setor de combustíveis no país. Desde a primeira fase, a Receita Federal afirma que a apuração mira diferentes elos da cadeia, da importação e produção à distribuição, revenda e ocultação de patrimônio.
Os investigados poderão responder, conforme o avanço das apurações, por crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa, sonegação fiscal, adulteração de combustíveis e ocultação de patrimônio. As defesas dos citados ainda poderão se manifestar no curso do processo.