Dos nove crimes registrados até maio, quatro foram cometidos com arma branca.
Cerca de 78% das vítimas de feminicídio registradas no Amazonas entre janeiro e maio de 2026 tinham mais de 35 anos. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas mostram que o estado contabilizou nove crimes no período. Quatro deles foram cometidos com armas brancas, como facas, enquanto dois envolveram agressões físicas e outros dois não tiveram o meio utilizado identificado.
As ocorrências foram registradas em Manaus, com quatro casos, e nos municípios de Barcelos, Carauari, Coari, Manaquiri e São Gabriel da Cachoeira, com um caso em cada cidade. Os números são baseados em boletins de ocorrência da Polícia Civil do Amazonas e em laudos do Instituto Médico Legal.
Entre os casos está o assassinato de Roseane Nicolau Canuto, de 39 anos, morta a facadas no dia 8 de março, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher. O marido dela, Hiure Felintro da Silva, de 28 anos, foi preso cerca de uma hora depois e confessou o crime. Segundo ele, o ataque foi motivado por ciúmes.
A presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-AM, Alessandrine Silva, afirmou que o uso recorrente de facas demonstra uma violência direcionada contra as vítimas. “Essa arma branca, a faca, que é doméstica e está ali de fácil acesso, é também esse objeto que esse violentador vai depositar todo o ódio e violência que ele obtém contra essa mulher. E aí a gente fala da misoginia embutida nessas violências”, afirmou.
A advogada criminalista Natividade Maia também alertou para a possível subnotificação, principalmente nas tentativas de feminicídio. “Creio firmemente que há muitos casos de tentativa de feminicídio que são subnotificados, porque essas situações ocorrem dentro do lar, na maioria das vezes, e a própria família, vizinhos ou pessoas mais próximas interferem no evento e se ‘resolvem’ em família”, disse.
A SSP-AM informou que o enfrentamento à violência contra a mulher é realizado de forma integrada pelas forças de segurança e pela rede de proteção. Segundo a pasta, nenhuma mulher acompanhada pela Ronda Maria da Penha foi vítima de feminicídio. A secretaria projeta que o estado encerre 2026 com 20 casos, mesmo total registrado em 2025.
Com informações do G1*