Caprichoso abriu a disputa exaltando as raízes do povo parintinense, enquanto Garantido encerrou a noite com espetáculo sobre povos originários, crenças e tradições amazônicas
A primeira noite do 59º Festival de Parintins, realizada na sexta-feira (26/06), foi marcada por emoção, grandiosidade e forte valorização da identidade cultural amazônica. No Bumbódromo, os bois Caprichoso e Garantido deram início à disputa de 2026 com apresentações que exaltaram a memória, a ancestralidade, os povos originários e a relação profunda entre Parintins, sua gente e a floresta.
Abrindo a noite, o Boi Caprichoso apresentou o ato “O Brinquedo do Povo Canta: Parintins , O Chão de Origem”, dentro do projeto artístico “Brinquedo que Canta Seu Chão”. O boi azul e branco levou para a arena uma narrativa voltada às raízes culturais da Ilha Tupinambarana, destacando os saberes populares, os povos indígenas, as comunidades tradicionais e a construção da identidade parintinense ao longo das gerações.
foto: Tiago Correa / Mauro Neto / Secom
Entre os momentos de destaque da apresentação azulada estiveram a evolução da Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, que surgiu em um praticável com efeito de suspensão no ar, e a participação emocionante de Rei Azevedo, um dos grandes nomes da história do Caprichoso. O cantor e compositor voltou a versar pelo boi da estrela na testa, relembrando sua trajetória como Amo do Boi e emocionando torcedores de diferentes gerações.
Na arquibancada, a galera azul e branca acompanhou cada momento com entusiasmo. Torcedores destacaram a emoção de viver o festival de dentro da arena e reforçaram a expectativa por mais uma grande apresentação do Caprichoso.
Encerrando a primeira noite, o Boi Garantido levou ao Bumbódromo o espetáculo “Parintins, Portal do Encantamento”, com uma apresentação voltada à união dos povos, às crenças amazônicas, aos seres encantados da floresta e à força dos povos originários da Ilha Tupinambarana. O boi vermelho e branco conduziu o público por uma narrativa marcada por grandes alegorias, espiritualidade e tradição.
A abertura do espetáculo vermelho contou com elementos da floresta amazônica e seres encantados, além da presença de itens oficiais como a Porta-Estandarte Jeveny Mendonça e a Sinhazinha da Fazenda Raíra Lins, estreante na arena. Outro ponto alto foi a lenda “Parintintin, o povo que veio do céu”, que ganhou força na apresentação da cunhã-poranga Isabelle Nogueira.
O Garantido também destacou a figura da mulher amazônica por meio da Figura Típica Regional, em homenagem às mães guerreiras e guardiãs dos saberes da floresta, com participação da cantora Márcia Siqueira. No encerramento, o Ritual Indígena “O Sonho de Ipají” abordou cura, espiritualidade e a conexão entre passado e futuro.
A primeira noite também emocionou visitantes que acompanharam o festival pela primeira vez. Para muitos, a experiência no Bumbódromo foi descrita como única, marcada pela energia das torcidas, pela grandiosidade das alegorias e pela força cultural do espetáculo realizado no coração da Amazônia.
Realizado pelo Governo do Amazonas, o Festival de Parintins 2026 segue até domingo (28/06), com novas apresentações dos bois Caprichoso e Garantido na arena.