Saúde

Fiocruz avança em pesquisa para vacina mais completa contra malária

Pesquisa publicada na revista Nature aponta caminho para imunizante mais amplo, capaz de atuar contra diferentes espécies do parasita

Por: Portal Amz em Pauta
03 de Julho de 2026
Foto: Reprodução / TV Globo

Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deram um passo importante no desenvolvimento de uma vacina mais completa contra a malária. Pesquisadores identificaram um conjunto inédito de fragmentos de proteínas do parasita Plasmodium que pode servir de base para um imunizante capaz de proteger contra diferentes espécies e atuar em várias fases da doença.

O estudo foi publicado na revista científica Nature e adotou uma abordagem considerada inovadora para entender como o sistema imunológico reconhece o parasita causador da malária. Em vez de focar apenas na produção de anticorpos, como ocorre em parte das vacinas atuais, a equipe investigou a atuação dos linfócitos T CD8+, células de defesa capazes de identificar e destruir células infectadas.

Segundo a pesquisadora Caroline Junqueira, da Fiocruz Minas, coordenadora do estudo, um dos maiores desafios para o desenvolvimento de uma vacina contra a malária sempre foi encontrar bons alvos vacinais. Ela destacou que, apesar de mais de 50 anos de pesquisas, os imunizantes aprovados até hoje têm eficácia limitada e são voltados principalmente para o Plasmodium falciparum e para crianças.

Na investigação, os cientistas identificaram 453 peptídeos, pequenos fragmentos de proteínas do parasita, derivados de 166 proteínas. Esses fragmentos são exibidos na superfície das células infectadas e reconhecidos pelos linfócitos T CD8+.

A equipe também observou que a maioria desses fragmentos vinha de proteínas chamadas housekeeping, responsáveis por funções básicas e indispensáveis à sobrevivência do parasita. Por serem necessárias em diferentes fases do ciclo de vida do Plasmodium e conservadas entre várias espécies, essas proteínas são consideradas alvos promissores para uma vacina de alcance mais amplo.

Em outra etapa, os pesquisadores testaram se os peptídeos identificados eram reconhecidos pelo sistema imunológico. Os resultados mostraram resposta em células de pacientes infectados por Plasmodium vivax e Plasmodium falciparum, além de outras espécies do parasita que infectam primatas e camundongos.

Os testes foram realizados em amostras humanas e em modelos experimentais. Em primatas e camundongos, os antígenos também induziram resposta de células T em órgãos importantes para a infecção, como o fígado, onde ocorre a etapa inicial da doença, e o sangue. Em modelos animais, alguns alvos demonstraram efeito protetor, com redução da carga do parasita.

Atualmente, as vacinas disponíveis contra a malária oferecem proteção parcial, com atuação mais concentrada na fase inicial da infecção e foco principalmente no P. falciparum. O novo estudo aponta a possibilidade de uma vacina capaz de agir em múltiplos estágios da doença e contra diferentes espécies do parasita.

Apesar do avanço, os pesquisadores ressaltam que ainda há um longo caminho até o desenvolvimento de um imunizante. Os achados precisam passar por novas etapas de validação, estudos complementares e testes clínicos antes de qualquer aplicação em larga escala.

A pesquisa abre novas perspectivas para o combate à malária, doença que ainda representa um importante desafio de saúde pública em regiões tropicais, incluindo áreas da Amazônia. Para a Fiocruz, a identificação desses alvos pode orientar futuros estudos e acelerar o desenvolvimento de vacinas mais eficazes contra a doença.

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