Sexta-Feira, (02 de Outubro de 2026)
Saúde

Fiocruz avança no combate à transmissão da doença de Chagas em bebês

Projeto Cuida Chagas examinou 81 mil pessoas em quatro países, confirmou mais de 2.600 casos e agora entra na fase de avaliação das ações desenvolvidas para fortalecer o SUS.

Por: Portal Amz em Pauta
02 de Outubro de 2026
Foto: Reprodução

Após cinco anos de atuação, o projeto internacional Cuida Chagas, liderado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), encerrou as atividades de campo e entrou em uma nova etapa voltada à análise dos resultados e à consolidação das contribuições para o Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa foi criada para ampliar o diagnóstico, o tratamento e o cuidado de casos de doença de Chagas congênita em populações vulneráveis de 31 municípios do Brasil, Bolívia, Colômbia e Paraguai.

A transmissão vertical da doença de Chagas ocorre quando a infecção passa da mãe para o bebê durante a gestação ou no parto. A doença é provocada pelo parasita Trypanosoma cruzi e representa um desafio principalmente porque muitos recém-nascidos infectados não apresentam sintomas logo após o nascimento.

Ao longo do projeto, a Fiocruz atuou em parceria com instituições de pesquisa dos demais países envolvidos. No total, cerca de 81 mil pessoas foram examinadas e mais de 2.600 diagnósticos foram confirmados. Entre os sinais que podem aparecer em alguns bebês estão prematuridade, baixo peso ao nascer e aumento do fígado e do baço, mas a ausência de sintomas dificulta a identificação precoce.

Diagnóstico precoce foi um dos principais focos

Entre as estratégias adotadas pelo Cuida Chagas estiveram a busca ativa de casos, a capacitação de profissionais de saúde e a formação de lideranças comunitárias. Também foram reforçadas ações de atenção primária para ampliar a identificação de mulheres em idade fértil e gestantes com risco de transmissão da doença.

Outra medida importante foi a incorporação da triagem e do acompanhamento de recém-nascidos, além do uso do teste PCR, capaz de detectar o DNA do parasita no sangue. Com isso, tornou-se possível identificar a infecção nos primeiros meses de vida, período em que as chances de cura com o tratamento são consideradas elevadas.

Para a pesquisadora Andréa Silvestre, o projeto mostrou que o enfrentamento da doença de Chagas congênita pode ser fortalecido dentro do próprio SUS. Ela destaca como legado a integração da testagem de mulheres, o acompanhamento de crianças expostas, a descentralização da coleta de exames e a organização dos fluxos entre atenção primária, vigilância, laboratórios e serviços especializados.

Ações ultrapassaram os serviços de saúde

Segundo a pesquisadora, a implementação das estratégias também exigiu formação profissional, adaptação às realidades de cada território e participação das próprias comunidades. Em alguns municípios, a mobilização resultou inclusive na criação de leis e políticas locais que passaram a incluir a doença de Chagas nas agendas públicas.

Com o fim das atividades de campo, o Cuida Chagas passa agora a concentrar esforços na análise das informações coletadas. A expectativa da Fiocruz é transformar os resultados da pesquisa em medidas permanentes capazes de ampliar o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento da doença de Chagas congênita nos serviços de saúde.

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