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França lidera ação de US$ 2,5 bilhões para salvar floresta do Congo

Plano europeu busca conter desmatamento e fortalecer conservação na África Central.

07 de Novembro de 2025
Foto: REUTERS / Thomas Nicolon

A França está à frente de uma iniciativa internacional de US$ 2,5 bilhões para proteger a floresta tropical do Congo, a segunda maior do mundo. O plano, apoiado por Alemanha, Noruega, Bélgica e Reino Unido, foi revelado em documento obtido pela agência Reuters e faz parte do esforço global de preservação das últimas grandes reservas tropicais do planeta.

Batizada de “The Belem Call for the Forests of the Congo Basin”, a ação foi formalmente assinada em 6 de novembro pelos cinco países europeus e visa reforçar o financiamento de programas ambientais e de desenvolvimento sustentável na região. “Os doadores estão se comprometendo a mobilizar mais de US$ 2,5 bilhões nos próximos cinco anos, além dos recursos domésticos que serão mobilizados pelos países da África Central para a proteção e o gerenciamento sustentável das florestas da Bacia do Congo”, afirma o texto.

O projeto busca reduzir o desmatamento por meio de apoio técnico, transferência de tecnologia, capacitação de profissionais e fortalecimento das políticas de conservação nos países africanos. A iniciativa surge em meio às negociações da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém (PA), que tem como uma das metas principais ampliar o financiamento climático global e conter o avanço da destruição ambiental.

A Bacia do Congo, que abriga a segunda maior floresta tropical do planeta, é considerada um dos principais sumidouros de carbono da Terra. A região, porém, enfrenta pressões crescentes causadas pela mineração, exploração madeireira e expansão agrícola. Ao lado da Amazônia e da floresta de Bornéu Mekong, a área é vital para o equilíbrio climático global.

A proposta europeia ocorre no mesmo momento em que o Brasil defende o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um novo modelo de financiamento climático baseado em investimentos contínuos e não apenas em doações. Para diplomatas envolvidos nas negociações, as duas iniciativas são complementares, mas a existência de fundos paralelos pode gerar disputa por protagonismo internacional.

“Em teoria, as duas iniciativas são muito diferentes”, observou um diplomata ligado ao processo, destacando que o TFFF prevê pagamentos anuais sem restrições para países com florestas tropicais. Ainda assim, reconheceu que “a ótica de dois fundos rivais pode ser problemática”.

A Noruega, que participa de ambos os projetos, anunciou nesta quinta-feira (6) a contribuição de US$ 3 bilhões para o TFFF, o maior valor até o momento. Já a França informou que poderá destinar até 500 milhões de euros à iniciativa brasileira, sinalizando apoio duplo às ações de preservação florestal nos dois continentes.

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