Terça-Feira, (03 de Novembro de 2026)
Amazonas

Fumaça sufoca cidades do Amazonas e provoca suspensão de aulas no interior

Poluição atinge níveis críticos em Parintins e Itacoatiara nesta terça-feira (3); monitoramento aponta situação preocupante em outros municípios amazonenses.

Por: Portal Amz em Pauta
03 de Novembro de 2026
Foto: Folha de Parintins

A forte concentração de fumaça e a piora da qualidade do ar provocaram a suspensão de aulas presenciais nesta terça-feira (3), em municípios do interior do Amazonas. Em Parintins, as redes municipal e estadual interromperam as atividades no período da manhã para proteger estudantes, professores e funcionários dos riscos provocados pela poluição atmosférica. Itacoatiara também aparece entre os municípios afetados, com registros de qualidade do ar considerada ruim e relatos de suspensão das atividades escolares.

Em Parintins, a suspensão foi anunciada pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) e pela Coordenadoria Regional de Educação. A decisão abrange escolas da zona urbana e rural, incluindo comunidades de terra firme e de várzea. As autoridades informaram que as condições atmosféricas seriam reavaliadas ao longo da manhã para decidir sobre a realização das aulas no período da tarde.

Os indicadores ambientais ajudam a explicar a preocupação. Segundo os dados apresentados pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Parintins registrou por volta das 7h uma concentração de 176,9 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de partículas finas, classificação considerada péssima. Em Itacoatiara, a medição chegou a 53,7 µg/m³, índice classificado como ruim. Os valores representam a presença de material particulado PM2,5, capaz de penetrar profundamente nos pulmões e agravar problemas respiratórios.

A situação em Parintins também foi identificada por outros sistemas de monitoramento. Durante a madrugada, a plataforma QualiAR, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), registrou concentração de 379 µg/m³ de partículas PM2,5, evidenciando a gravidade da poluição que atinge o município. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da exposição à fumaça.

O problema não se limita às duas cidades. Conforme os registros do Selva apresentados nesta terça-feira, Barreirinha alcançou 226,2 µg/m³, seguida por Nhamundá, com 128,8 µg/m³, e Boa Vista do Ramos, com 120,2 µg/m³. Também foram registradas concentrações elevadas em Itapiranga (78 µg/m³), Silves (58,2 µg/m³), Maués (54,3 µg/m³) e Urucurituba (51,3 µg/m³). As medições variam conforme o horário e as condições atmosféricas de cada localidade.

A crise ambiental acontece em meio à estiagem que afeta diferentes regiões do Amazonas. Segundo boletim divulgado pela Defesa Civil estadual, 47 municípios estão em situação de emergência e outros 15 permanecem em alerta. Ao todo, aproximadamente 146.425 famílias já foram atingidas pelos efeitos da seca, que também compromete o abastecimento, a navegação e o acesso de comunidades a serviços essenciais.

Para enfrentar a situação, o Governo do Amazonas informou que mantém cerca de 1.500 profissionais mobilizados, entre bombeiros militares e brigadistas, com apoio de 18 aeronaves, sendo 16 federais e duas estaduais. O Estado também anunciou a contratação de 153 brigadistas florestais e a adoção de medidas de fiscalização e prevenção, incluindo a proibição do uso do fogo por 120 dias, ressalvadas as exceções legais.

 

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