Estado lidera perdas residenciais em 2024 e consumidores pagam mais pelas fraudes
O Amazonas foi o segundo estado com mais perdas não técnicas de energia elétrica em 2024, segundo relatório divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na última sexta-feira (13). Os prejuízos, causados por furtos, fraudes e falhas operacionais, somaram R$ 769,7 milhões apenas no estado. Nacionalmente, essas perdas são conhecidas como “gatos”.
Entre as concessionárias, a Light (RJ) e a Amazonas Energia (AM) se destacaram negativamente, com 22% e 12,1% das perdas, respectivamente. Juntas, elas concentraram 34,1% das perdas não técnicas no país. No recorte das tarifas residenciais, o Amazonas aparece como líder, com perdas de 12,9% em 2024.
O impacto direto dessas irregularidades recai sobre os consumidores. Em 2023, os clientes da Amazonas Energia foram os mais prejudicados do Brasil, com aumento médio de 13,4% nas contas de luz por conta de furtos e fraudes no sistema elétrico.
Em todo o país, as perdas não técnicas causaram um prejuízo de R$ 10,3 bilhões ao setor elétrico em 2024. O número representa um aumento em relação ao ano anterior, quando o total havia sido de R$ 9,97 bilhões, segundo a Aneel.
O relatório da agência revela que dez distribuidoras concentram 74% das perdas nacionais. As principais causas identificadas incluem ligações clandestinas, adulterações em medidores, desvios diretos da rede e falhas na medição. Essas práticas ocorrem majoritariamente em áreas de baixa tensão, onde o controle é mais complexo.
Apesar da gravidade, a Aneel não impõe penalidades diretas às distribuidoras que não atingem metas de redução de perdas. Em vez disso, limita o repasse dos prejuízos às tarifas dos consumidores. Isso significa que parte do prejuízo é absorvida pelas empresas, o que serve como incentivo para ações de combate às irregularidades.
No entanto, os consumidores ainda arcam com uma parte dos custos. Em 2024, os chamados níveis “eficientes” de perdas foram incorporados às tarifas, somando R$ 7,1 bilhões, o equivalente a 2,85% da receita requerida das distribuidoras e 9,2% da chamada “Parcela B”, que cobre os custos operacionais das empresas.
Além das perdas não técnicas, as perdas técnicas, aquelas causadas naturalmente durante o transporte e transformação da energia, também geraram custos significativos. Em 2024, essas perdas representaram cerca de R$ 11,2 bilhões, segundo os cálculos regulatórios da Aneel.
Por fim, o documento aponta que as distribuidoras de grande porte, com mercados superiores a 700 GWh, são responsáveis pela maioria das perdas não técnicas no país. Isso se deve à complexidade de suas redes e à extensão territorial que atendem, o que torna o controle mais difícil e oneroso.