Polícia confirma origem estrangeira das armas e alerta para avanço de rotas terrestres
A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou que parte dos fuzis apreendidos na megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão tem origem estrangeira, reforçando os indícios de que o tráfico internacional de armas está utilizando a Amazônia como rota de entrada para o país. O levantamento inicial foi feito pela Coordenadoria de Fiscalização em Armas e Explosivos (CFAE), após a apreensão de 118 armas durante a ação que resultou na morte de 121 pessoas, incluindo quatro policiais.
Das armas apreendidas, 91 são fuzis de diversos calibres e modelos. De acordo com o delegado Vinicius Domingos, coordenador da CFAE, a análise preliminar revelou que dois fuzis pertencem a uma instituição militar da Venezuela, um tem origem na Argentina e outro no Peru. As informações confirmam que os armamentos estão cruzando fronteiras pela região amazônica e sendo transportados até o Rio de Janeiro por rotas terrestres utilizadas por facções criminosas.
Armas de vários países e falsificações sofisticadas
O relatório da CFAE apontou ainda a diversidade de origens e modelos dos armamentos. Entre os 91 fuzis analisados, 11 são de plataforma alemã G3, 13 da belga FAL, 16 russos AK-47, e o restante de plataforma AR americana, sendo a maioria falsificada. Os investigadores destacaram que mais de 90% das armas de modelo AR são “copy fake”, ou seja, réplicas com capacidade de disparo, mas produzidas fora dos padrões originais.
Segundo o delegado Domingos, o material apreendido passará por uma nova fase de perícia técnica para rastrear o caminho percorrido pelas armas e identificar os responsáveis pela entrada dos fuzis no território brasileiro. “São equipamentos com poder de fogo real, mas que foram montados ou adulterados em fábricas clandestinas fora do país”, afirmou o delegado em pronunciamento divulgado pela Polícia Civil.
A operação nos complexos da Penha e do Alemão foi considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, deixando um saldo de 121 mortos e mobilizando forças de elite da Polícia Civil e da Polícia Militar. O objetivo da ação era desarticular núcleos de facções ligadas ao Comando Vermelho que dominavam áreas estratégicas da zona norte da capital fluminense.
As armas apreendidas foram levadas para o setor de armamentos da Polícia Civil, onde permanecem sob custódia. As que apresentarem condições técnicas e documentação regular poderão ser incorporadas futuramente às forças de segurança do Estado do Rio, conforme solicitação que ainda será avaliada pela Justiça.
Com as novas descobertas, autoridades federais e estaduais reforçaram a necessidade de monitorar as fronteiras amazônicas e ampliar as operações de inteligência conjunta com os países vizinhos. O caso reacende o alerta sobre o avanço do tráfico internacional de armas e o uso da Amazônia como corredor estratégico para abastecimento de facções criminosas no Brasil.