Mundo

G20 se reúne na África do Sul sob tensão por tarifas dos EUA

Ministro sul-africano cobra liderança global em meio a guerra comercial e dívidas.

17 de Julho de 2025
Foto: REUTERS / Rogan Ward

Chefes de finanças do G20 iniciaram nesta quinta-feira (17), na cidade de Durban, África do Sul, uma nova rodada de reuniões marcada pela escalada de tensões comerciais, especialmente após as recentes ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro acontece sob o lema da presidência sul-africana: “Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”, com foco na promoção de uma agenda africana.

Na abertura do evento, o ministro das Finanças da África do Sul, Enoch Godongwana, fez um apelo ao grupo para que exerça “liderança global estratégica”, destacando os desafios enfrentados pelos países em desenvolvimento.

“Muitos países em desenvolvimento, especialmente na África, continuam sobrecarregados pelas vulnerabilidades de dívidas altas e crescentes, espaço fiscal restrito e alto custo de capital que limita sua capacidade de investir em seu povo e em seu futuro.”

“A necessidade de uma liderança cooperativa ousada nunca foi tão grande”, completou.

Criado como fórum de cooperação em resposta à crise financeira de 2008, o G20 vem sendo abalado nos últimos anos por conflitos geopolíticos entre seus membros, incluindo a guerra da Rússia na Ucrânia e os embates comerciais entre grandes economias.

Ausências e incertezas

Apesar da importância do encontro, a ausência de ministros importantes chama atenção. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, não participa da reunião – sua segunda ausência em eventos do G20 neste ano. Ele também esteve ausente na reunião de fevereiro, na Cidade do Cabo.

Outros ministros das Finanças ausentes em Durban são os da Índia, França e Rússia. Os Estados Unidos serão representados por Michael Kaplan, subsecretário interino de assuntos internacionais do Tesouro. Um delegado que pediu anonimato reconheceu que a ausência de Bessent “não é ideal”, mas garantiu que os EUA seguem envolvidos nas discussões.

O presidente do Banco Central da África do Sul, Lesetja Kganyago, minimizou as ausências:

“O que importa é: há alguém com um mandato sentado atrás da bandeira e todos os países estão representados com alguém sentado atrás da bandeira?”, afirmou em entrevista à Reuters.

Guerra comercial e ameaça de tarifas

As políticas tarifárias de Donald Trump seguem sendo um dos principais pontos de preocupação para o G20. O presidente norte-americano tem defendido tarifas base de 10% para todas as importações dos EUA, além de taxas de até 50% sobre aço e alumínio, 25% sobre automóveis e possíveis tarifas sobre produtos farmacêuticos.

Trump também ameaçou impor tarifas adicionais de 10% sobre os países do BRICS, o que aumenta os receios de fragmentação e protecionismo nos fóruns internacionais, especialmente porque oito desses países integram o G20.

A última vez em que o G20 conseguiu emitir um comunicado conjunto foi em julho de 2024, com um texto que evitou menções diretas à guerra na Ucrânia, focando apenas na necessidade de resistir ao protecionismo comercial.

Enquanto isso, autoridades dos EUA não detalharam publicamente seus planos para a presidência rotativa do grupo em 2025, embora uma fonte tenha adiantado que Washington pretende reduzir grupos de trabalho não financeiros e simplificar o cronograma da cúpula.

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.