Estados resistem a cortes de impostos enquanto impacto já atinge economia
O governo federal tenta avançar em novas medidas para conter a alta do diesel no Brasil, após as ações iniciais não apresentarem efeito significativo. A escalada dos preços, impulsionada pela crise internacional do petróleo, já preocupa pela possibilidade de pressionar a inflação e afetar diretamente a economia.
Entre as primeiras iniciativas, a isenção de PIS/Cofins teve impacto limitado, representando cerca de 5% do valor final do diesel. Para ampliar o efeito, o governo também adotou uma subvenção ao setor, buscando aumentar o desconto ao consumidor.
Na tentativa de ampliar a redução, o governo solicitou aos estados a diminuição do ICMS, imposto que corresponde a quase 20% do preço do combustível. No entanto, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) rejeitou a proposta, alegando risco ao financiamento de políticas públicas e pouca garantia de repasse do desconto ao consumidor final.
Diante da resistência, uma nova proposta foi apresentada. O plano prevê que os estados zerem o ICMS sobre a importação de diesel até o fim de maio, com compensação parcial por parte da União. Segundo o Ministério da Fazenda, a medida teria custo de R$ 3 bilhões por mês, com ressarcimento federal de cerca de R$ 1,5 bilhão. A decisão deve ser definida até 28 de março.
A preocupação do governo se intensifica porque o diesel é essencial para a logística do país. O aumento do combustível impacta diretamente o transporte de cargas, refletindo no preço de alimentos, produtos industriais e serviços em geral, ampliando os efeitos na inflação.