Diplomatas apontam motivação política em tarifaço de Trump e preparam resposta de caráter político, não econômico.
O governo brasileiro trabalha com a hipótese de que os Estados Unidos possam anunciar uma nova rodada de sanções contra o país em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF). A Primeira Turma do tribunal começa a analisar, na próxima terça-feira (2), as denúncias contra integrantes do núcleo central acusados de tentativa de golpe de Estado.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) atribui a Bolsonaro o papel de “principal articulador, maior beneficiário e autor” de ações que buscavam mantê-lo no poder mesmo após a derrota nas eleições de 2022. O tema já repercutiu fora do país: o presidente dos EUA, Donald Trump, citou a situação do ex-mandatário como um dos fatores que motivaram o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, em vigor desde 6 de agosto.
Embora o Palácio do Planalto ressalte que o início dos procedimentos de reciprocidade contra Washington já estava previsto antes do julgamento, auxiliares de Lula avaliam que é preciso manter o processo em andamento para garantir margem de resposta caso novas medidas sejam impostas. Como a lei exige tramitação demorada, eventuais retaliações só poderiam ser implementadas no fim de 2025 ou em 2026.
Nos bastidores, diplomatas afirmam que a postura americana cristalizou a percepção, dentro e fora do Brasil, de que o tarifaço teve motivações políticas. Ainda assim, o governo não cogita aplicar barreiras tarifárias ou sobretaxas aos EUA, temendo impacto negativo sobre o setor produtivo. As respostas, segundo fontes, devem ter caráter político e levar em conta a repercussão interna e externa.