Plano do Ministério de Minas e Energia vai avaliar a viabilidade técnica do uso de teores superiores a 15% no combustível.
O Governo do Brasil iniciou um plano de testes para avaliar a viabilidade técnica da ampliação da mistura de biodiesel no óleo diesel comercializado no país. A medida foi formalizada pelo Ministério de Minas e Energia por meio da Portaria Normativa nº 133/2026, publicada na terça-feira (19).
A iniciativa faz parte da implementação da Lei do Combustível do Futuro e estabelece diretrizes técnicas para subsidiar futuras decisões sobre o aumento do teor de biodiesel no diesel. Atualmente, a ampliação acima de 15% depende de comprovação prévia de segurança e viabilidade técnica.
A execução experimental começou oficialmente na quarta-feira (20), com a chegada do primeiro motor que será submetido aos ensaios. O equipamento, um motor eletrônico P5, será testado no Instituto Mauá de Tecnologia, um dos 16 laboratórios envolvidos na iniciativa.
Os testes vão avaliar o comportamento do combustível em motores representativos da frota diesel nacional. Serão analisados fatores como desempenho, emissões, durabilidade, compatibilidade de materiais, estabilidade do combustível e funcionamento em condições críticas de armazenamento e operação.
O plano foi construído com participação de representantes do governo federal, montadoras, fabricantes de motores, produtores e distribuidores de combustíveis, universidades, laboratórios, instituições de pesquisa e consumidores. A proposta é garantir segurança técnica, confiabilidade e rastreabilidade dos resultados.
Desde 2024, o Ministério de Minas e Energia coordena ações para viabilizar os estudos, com apoio do Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro e de um subcomitê específico voltado à avaliação das misturas com maiores teores de biodiesel.
O programa contempla testes para misturas acima de 15%, do B16 ao B20, e também prevê avaliações com teores de até 25%. Segundo o ministério, testar a faixa até B20 é mais adequado do que avaliar apenas o B16, porque o protocolo abrange o conteúdo técnico necessário para analisar todos os percentuais intermediários.
As próximas etapas incluem a disponibilização de novos motores, veículos e componentes para os ensaios, além da organização da logística de certificação, segregação e envio dos combustíveis aos laboratórios participantes. O ministério também articula parceria com a Universidade de Brasília para testes em motor estacionário usado na geração de energia elétrica.