Primeiro-ministro Mute Egede critica a chegada de representantes norte-americanos ao território autônomo e reafirma a posição do governo da Groenlândia sobre soberania e autodeterminação
O primeiro-ministro interino da Groenlândia, Mute Egede, denunciou nesta segunda-feira (24) o que considera "interferência estrangeira" por parte dos Estados Unidos, que enviaram uma delegação ao território autônomo dinamarquês, região cobiçada pelo ex-presidente Donald Trump.
Em um comunicado nas redes sociais, Egede afirmou que "a integridade e democracia da Groenlândia devem ser respeitadas sem qualquer tipo de interferência externa", acrescentando que não haverá reuniões com os membros da delegação norte-americana, que inclui o conselheiro de segurança nacional dos EUA, Mike Waltz, e Usha Vance, esposa do vice-presidente dos Estados Unidos.
Egede reforçou que a visita de Usha Vance e Mike Waltz não pode ser interpretada como um evento privado, afirmando que sua presença tem o objetivo claro de mostrar "uma demonstração de poder". O primeiro-ministro afirmou ainda que a visita só aumenta a pressão dos EUA sobre a Groenlândia, especialmente considerando a proximidade de Waltz com Donald Trump. "O único objetivo é nos mostrar uma demonstração de poder, e o sinal não deve ser mal interpretado", declarou Egede.
Recentemente, o chefe do governo interino da Groenlândia criticou os Estados Unidos, destacando que, apesar de os EUA terem sido vistos como aliados, "esse tempo acabou". Em relação à visita, Egede afirmou que as reuniões só poderão ocorrer após a posse de um novo governo local, pois o país está atualmente em uma fase de transição política após as eleições legislativas de março.
A visita da delegação dos EUA ocorre em um contexto de crescente tensão em relação ao futuro da Groenlândia, com o ex-presidente Trump expressando, em várias ocasiões, seu desejo de que a ilha fosse anexada pelos Estados Unidos. Trump sugeriu que a Groenlândia, rica em recursos naturais como petróleo, gás e minerais, poderia ser vantajosa para os EUA, especialmente por sua localização estratégica.
Por outro lado, a Dinamarca, que mantém a soberania sobre a Groenlândia, tem se oposto à ideia de anexação e reafirmou a importância de respeitar as "regras fundamentais da soberania". O governo dinamarquês deixou claro que a cooperação com os Estados Unidos se baseará no respeito à soberania da Groenlândia.
O papel da visita dos EUA
O governo norte-americano, por meio do Conselho de Segurança Nacional, afirmou que a visita tem como objetivo "fortalecer a parceria e promover a cooperação econômica", além de "respeitar a autodeterminação da Groenlândia". O porta-voz da Casa Branca, Brian Hughes, destacou que a visita inclui atividades culturais, como uma corrida de trenós puxados por cães, e visitas a locais históricos, além de uma parada na base militar dos EUA em Pituffik, na Groenlândia.
Enquanto isso, os EUA estão reforçando sua presença na Groenlândia, com a chegada de dois aviões de transporte militar Hercules e cerca de 60 policiais dinamarqueses na capital Nuuk. A estratégia dos EUA é, sem dúvida, moldada pela localização estratégica da Groenlândia, que é vital para o sistema de alerta de mísseis balísticos dos EUA.
Em 2019, Trump sugeriu pela primeira vez a ideia de comprar a Groenlândia, e desde então renovou o discurso de anexação, considerando até o uso de força para alcançar esse objetivo.
Com informações da RTP.