Presidente colombiano afirma que cerimônia deve seguir regras constitucionais antes da transição de poder.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou no domingo (12) que não permitirá a realização da posse do presidente eleito Abelardo De la Espriella em uma instalação militar. A declaração ocorre a menos de um mês da transferência de poder, marcada para 7 de agosto, e amplia a tensão entre o atual governo e o sucessor.
A posse presidencial na Colômbia ocorre tradicionalmente no Congresso, em Bogotá. No entanto, De la Espriella pediu autorização ao novo legislativo para realizar a cerimônia em uma guarnição militar, em um gesto alinhado ao discurso de fortalecimento das forças de segurança e de postura mais dura contra o crime.
“No exercício de minhas faculdades constitucionais e legais, ordeno que nenhum estabelecimento militar sirva para uma posse de um presidente da República da Colômbia”, escreveu Petro na rede social X. O presidente também afirmou que “os quartéis militares e policiais estão sob minhas ordens até o momento em que o novo presidente prestar juramento”.
Petro declarou ainda que, enquanto permanecer no cargo, seguirá defendendo a Constituição e as leis do país. “Que Abelardo não me dê a mão é, mais ou menos, um elogio, mas obedeço às leis da Constituição de 1991”, afirmou.
A disputa ocorre em meio a questionamentos de Petro sobre o resultado do segundo turno das eleições. O presidente afirma ter provas de fraude eleitoral e convocou uma manifestação para 20 de julho, data da independência colombiana. De la Espriella, por sua vez, acusa Petro de planejar um golpe para permanecer no poder.
Na quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com Petro. Segundo comunicado do governo brasileiro, o colombiano garantiu que entregará o poder de forma pacífica em agosto e “reafirmou seu compromisso com a democracia e com uma transição pacífica no país”.