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Hamas aceita proposta de cessar-fogo mediada por Catar e Egito

Plano prevê trégua de 60 dias e libertação parcial de reféns.

18 de Agosto de 2025
Foto: AFP

O grupo palestino Hamas aceitou nesta segunda-feira (18) uma proposta de cessar-fogo atualizada, apresentada por mediadores do Catar e do Egito, segundo informações divulgadas pela agência Reuters e pelo portal Axios. A confirmação foi feita por Basem Naim, integrante da alta liderança do movimento.

De acordo com fontes da mediação egípcia, o acordo prevê a suspensão das operações militares na Faixa de Gaza por 60 dias e a troca de reféns, abrindo caminho para negociações que possam levar ao fim da guerra, que já dura quase dois anos.

Uma fonte da Jihad Islâmica informou à AFP que o plano contempla a libertação de dez reféns israelenses vivos e a devolução de corpos durante o período de trégua. Dos 251 sequestrados em 7 de outubro de 2023, durante ataque liderado pelo Hamas contra comunidades do sul de Israel, 49 ainda permanecem em Gaza. Segundo militares israelenses, cerca de 20 estariam vivos.

O acordo também prevê uma segunda fase de negociações imediatas para um pacto mais amplo, que incluiria garantias internacionais para Gaza e a libertação dos reféns restantes. “Todas as facções apoiam o que foi apresentado”, disse a fonte à AFP.

Apesar do avanço, persistem divergências entre as partes. O Hamas exige a retirada completa de Israel e garantias contra uma reocupação, enquanto Tel Aviv condiciona o acordo ao desarmamento do grupo e à sua saída do governo em Gaza. Israel defende que a administração local seja assumida por uma coalizão árabe, afastada da Autoridade Palestina.

Os planos de Israel de expandir a ofensiva para tomar a Cidade de Gaza geraram protestos no país e preocupações no exterior, intensificando os esforços de mediação. O chanceler egípcio, Badr Abdelatty, visitou Rafah nesta segunda-feira e afirmou que seu país trabalha para encerrar a crise humanitária no enclave. Ele destacou que o Egito receberá o premiê do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, para alinhar pressões conjuntas sobre os dois lados.

Abdelatty ressaltou a gravidade da situação humanitária em Gaza, onde, segundo a ONU, um em cada três habitantes sofre com fome. “A situação atual no terreno está além da imaginação”, declarou.

Enquanto as negociações avançam, novos bombardeios foram registrados. A Defesa Civil de Gaza informou que ao menos 11 pessoas morreram em ataques israelenses nesta segunda. Desde outubro de 2023, mais de 61 mil palestinos foram mortos, segundo autoridades locais. Já a Anistia Internacional acusou Israel de adotar uma “política deliberada” de fome e destruir de forma sistemática a infraestrutura de vida em Gaza, alegações que o governo israelense rejeita.



Com informações da Reuters.

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