Suspeito de 37 anos comercializava o chá pelas redes sociais e enviava encomendas para mais de 20 estados; operação ocorreu em Santa Catarina.
Um homem de 37 anos foi preso preventivamente nesta quinta-feira (5), em Palhoça, na Grande Florianópolis, suspeito de comercializar ilegalmente ayahuasca pela internet. A prisão ocorreu durante a Operação Desvio Ritual, realizada em conjunto pelas polícias civis do Distrito Federal (PCDF) e de Santa Catarina (PCSC). Segundo as investigações, o suspeito utilizava redes sociais para anunciar o chá como um produto natural capaz de aliviar problemas como ansiedade, depressão e insônia, além de realizar entregas para diferentes regiões do Brasil.
Durante a operação, os policiais cumpriram um mandado de prisão preventiva e dois de busca e apreensão, expedidos pela Justiça do Distrito Federal. As diligências ocorreram na residência do investigado e na sede de uma empresa registrada em seu nome. De acordo com a polícia, a estrutura empresarial era utilizada para receber pagamentos e organizar a distribuição da bebida, que era comercializada sem os critérios exigidos para seu uso religioso.
As vendas eram divulgadas em um perfil aberto no Instagram, que acumulava mais de três mil seguidores. No espaço, o investigado apresentava tabelas de preços, promoções e kits, além de oferecer o produto em pequenas quantidades, chamadas de microdoses. A publicidade associava o consumo da ayahuasca a supostos benefícios terapêuticos, sem comprovação de segurança ou eficácia para os tratamentos anunciados.
As investigações identificaram centenas de encomendas enviadas para mais de 20 unidades da federação. Entre os destinos estavam diferentes regiões administrativas do Distrito Federal, como Ceilândia, Taguatinga, Brazlândia, Águas Claras e Asa Norte. Uma das remessas foi interceptada em Brasília e submetida à perícia, que confirmou a presença de dimetiltriptamina (DMT), substância psicoativa presente na composição tradicional da ayahuasca e sujeita a controle no Brasil.
A Polícia Civil alertou que a comercialização indiscriminada do chá representa riscos, especialmente para pessoas que procuram alternativas de tratamento para problemas de saúde mental. O consumo pode provocar alterações intensas na percepção, crises de ansiedade e outras reações adversas. A combinação com determinados medicamentos, incluindo antidepressivos, também pode apresentar riscos à saúde. Os investigadores destacaram que os compradores recebiam o produto em casa, sem acompanhamento profissional ou assistência em caso de complicações.
A corporação esclareceu que a investigação não tem como alvo o uso religioso da ayahuasca, reconhecido pela Resolução nº 1/2010 do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad). A norma estabelece diretrizes para a utilização ritualística da bebida, tradicionalmente consumida por comunidades indígenas e grupos religiosos, mas considera incompatível com essa finalidade sua comercialização com fins lucrativos e a divulgação de promessas de cura. Dessa forma, a operação se concentra na suspeita de exploração comercial irregular, e não nas práticas religiosas.
O homem foi indiciado por tráfico de drogas, crime cuja pena prevista é de cinco a 15 anos de prisão. Como as remessas eram enviadas para outros estados, a legislação prevê a possibilidade de aumento da punição em caso de condenação. A identidade do investigado não foi divulgada, e a defesa ainda não havia sido localizada até a publicação das primeiras informações sobre o caso. As investigações continuam para esclarecer a extensão das vendas e o funcionamento da rede de distribuição.