Representação aponta conteúdo discriminatório, desinformação e possível estigmatização de pessoas soropositivas´.
O humorista Dunga Mesquita foi denunciado ao Ministério Público do Amazonas após publicar, nas redes sociais, um vídeo em que associa o Festival Folclórico de Parintins à transmissão do vírus HIV. A representação formal foi registrada na Ouvidoria do MP-AM na quinta-feira (18), sob o protocolo nº 11.2026.00006283-9.
A denúncia foi apresentada pelo professor e pesquisador Gabriel Mota. No documento encaminhado ao órgão fiscalizador, ele afirma que o conteúdo publicado no perfil do Instagram do comediante tem caráter discriminatório e contribui para reforçar o estigma contra pessoas que vivem com HIV/Aids.
Segundo a representação, o humorista fez piadas envolvendo pessoas soropositivas e atribuiu ao festival uma relação direta com o contágio pelo vírus, sem apresentar qualquer base científica ou dados oficiais de órgãos de saúde. Para o denunciante, as falas divulgadas no vídeo propagam desinformação e podem estimular preconceito.
A repercussão do caso cresceu após o portal Amazônia Press divulgar trechos da gravação. No vídeo, o comediante afirmou que o Festival de Parintins seria “os três dias do ano que as pessoas mais contraem HIV”. Na mesma publicação, ele também declarou, sem citar fontes oficiais, que Parintins ocuparia a segunda posição no ranking de casos da infecção no Amazonas.
A representação enviada ao MP-AM também cita outros trechos considerados ofensivos, como o uso da expressão “boi soropositivo” em referência ao festival. O documento aponta ainda comentários que relacionam pessoas que vivem com HIV à perda extrema de peso, o que, segundo Gabriel Mota, reforça estereótipos e amplia a discriminação.
No pedido, o pesquisador argumenta que a conduta pode configurar crime de discriminação contra pessoas vivendo com HIV/Aids, conforme previsto na Lei nº 12.984/2014. A denúncia também menciona a possibilidade de apuração de crimes contra a honra, como calúnia e difamação, previstos no Código Penal brasileiro.
Ao Ministério Público, Gabriel Mota solicitou a abertura de uma notícia de fato, a identificação oficial do responsável pelo perfil junto à Meta, empresa controladora do Instagram, e a preservação imediata do material digital. Ele também pediu a apuração das responsabilidades nas esferas civil e criminal e informou que preservou o arquivo original da publicação para ser usado como prova durante as investigações.