Pesquisa revela desigualdade habitacional e avanço em serviços urbanos no país.
Quase um em cada cinco municípios brasileiros possui favelas, mocambos ou palafitas, segundo a Pesquisa de Informações Básicas Municipais e Estaduais (Munic), divulgada nesta sexta-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra que 18% das cidades do país registram esse tipo de moradia precária, enquanto 67% apresentam loteamentos irregulares ou clandestinos.
A incidência é maior nas regiões mais populosas. O Norte lidera com o maior índice de áreas precárias, seguido pelo Sudeste e Nordeste, enquanto o Centro-Oeste apresenta a menor proporção. Para o IBGE, os dados reforçam as desigualdades urbanas e habitacionais e são fundamentais para orientar políticas públicas de moradia e inclusão social.
A pesquisa também mostrou disparidades na gestão de políticas raciais. Apenas 24% dos municípios brasileiros, o equivalente a 1.331 cidades, possuem estruturas específicas para a promoção da igualdade racial. Em 73% dessas estruturas, as chefias são ocupadas por mulheres, mas a maioria dos gestores é branca (48%), seguida por pardos (35%) e pretos (15%). O Nordeste é a região com maior presença dessas iniciativas, enquanto o Sul tem o menor índice.
O estudo revelou ainda avanços na infraestrutura urbana e em serviços públicos. Entre 2020 e 2024, o número de municípios com transporte por aplicativo cresceu de 16% para 26%, enquanto o serviço de táxi continua sendo o mais comum, presente em quase 80% das cidades. O uso de mototáxis, barcos e aviões também aumentou no período.
As ciclovias tiveram leve expansão e agora estão em 22% dos municípios brasileiros, indicando um crescimento modesto, mas constante na mobilidade sustentável.
Na área digital, o levantamento apontou melhora significativa: 48% das prefeituras oferecem internet gratuita à população, contra 40% em 2019, evidenciando o avanço da conectividade e do acesso digital no país.
Com esses dados, o IBGE destaca que o retrato das condições urbanas brasileiras é marcado pela coexistência de avanços tecnológicos e estruturais com profundas desigualdades sociais e raciais, reforçando a necessidade de políticas públicas integradas para reduzir os contrastes e promover o desenvolvimento equilibrado das cidades.