Mostra reúne mais de 200 obras, documentos, vídeos e registros históricos e permanece aberta ao público até 6 de dezembro de 2026.
O Instituto Cultural Brasil–Estados Unidos (ICBEU), em Manaus, recebeu na sexta-feira (28) a abertura da exposição “Judeus na Amazônia”, realizada em parceria com o Comitê Israelita do Amazonas (CIAM). Produzida pelo Museu Judaico de São Paulo, a mostra apresenta a trajetória e as contribuições da comunidade judaica para a formação histórica, social e cultural da região amazônica.
Considerada a maior exposição promovida pelo ICBEU desde sua inauguração, em 2021, a programação reúne mais de 200 obras de arte, documentos históricos, fotografias e produções audiovisuais. O acervo permanecerá em exibição em Manaus até o dia 6 de dezembro de 2026, oferecendo ao público um panorama da presença judaica na Amazônia ao longo de diferentes períodos.
A proposta da exposição é mostrar como a cultura judaica se estabeleceu em diferentes localidades da região, preservando tradições enquanto incorporava características culturais e religiosas locais. Um dos principais períodos abordados é o século XIX, durante o ciclo econômico do extrativismo, quando a Amazônia recebeu fluxos expressivos de imigrantes judeus vindos principalmente do Marrocos.
A cerimônia de abertura reuniu convidados ligados à comunidade judaica, ao setor empresarial e a instituições locais. Entre os presentes estavam o presidente do Comitê Israelita do Amazonas, Sérgio Band, representante de uma entidade que atua há 96 anos; o cônsul de Israel no Amazonas e presidente da Fogás, Jaime Benchimol; e Denis Minev, presidente da Bemol, empresa que está entre as principais patrocinadoras da iniciativa.
Conduzida pela jornalista Daniela Assayag, a solenidade também contou com apresentações culturais. Músicos da Orquestra Sinfônica do Amazonas realizaram concertos de violino, enquanto representantes ligados ao Museu Judaico participaram de performances com saxofone e baixo, integrando música e memória à programação de lançamento da exposição.
A curadoria de “Judeus na Amazônia” é assinada por Aldrin Figueiredo, Ilana Feldman, Renato Athias e Mariana Lorenzi, que também responde pela itinerância da exposição em Manaus. O Museu Judaico de São Paulo desenvolve trabalhos voltados à preservação e divulgação das diferentes manifestações da cultura judaica no Brasil, além de ações relacionadas à defesa dos direitos humanos e ao enfrentamento do antissemitismo e de outras formas de preconceito.
Durante a abertura, a presidente do Conselho de Administração da Bemol, Ilana Minev, destacou que a chegada da exposição à Região Norte é resultado de uma articulação iniciada há mais de dois anos. Em sua manifestação, ela agradeceu ao Museu Judaico, aos curadores, ao representante da instituição na cerimônia, Piatã Kignel, e aos parceiros envolvidos na realização do projeto, entre eles a Gera Amazonas, o ICBEU e a própria Bemol.
Ilana Minev também ressaltou a importância do Comitê Israelita do Amazonas na preservação da memória da comunidade judaica no Estado. Ao saudar o CIAM como guardião de uma história construída ao longo de quase um século, ela destacou ainda o papel das famílias presentes na continuidade desse legado. Para os organizadores, a exposição busca justamente aproximar diferentes gerações dessa trajetória e ampliar o conhecimento sobre a influência judaica na história e na diversidade cultural da Amazônia.