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Igreja Presbiteriana orienta membros a não participarem do movimento Legendários

Resolução aprovada em Manaus critica métodos do grupo, mas aplicação caberá às lideranças de cada igreja.

Por: Portal Amz em Pauta
30 de Julho de 2026
Foto: Matheus Santos / Rede Amazônica

O Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil aprovou uma resolução orientando pastores, presbíteros, diáconos e demais membros da denominação a não participarem, promoverem ou apoiarem o movimento cristão Legendários e organizações consideradas semelhantes. A decisão foi tomada na terça-feira (28), durante a reunião nacional da igreja realizada em Manaus.

O posicionamento surgiu após uma consulta encaminhada por integrantes da IPB no Tocantins, que pediram uma avaliação sobre a compatibilidade do Legendários com a tradição reformada. A comissão responsável pelo parecer concluiu que determinadas práticas do movimento entram em conflito com a doutrina e a forma de organização da Igreja Presbiteriana.

Entre os pontos questionados estão o uso de técnicas motivacionais e de coaching, isolamento em ambientes naturais, desgaste físico e emocional, sigilo sobre parte das atividades e rituais destinados a fortalecer o sentimento de pertencimento ao grupo. O parecer também demonstrou preocupação com estratégias de divulgação e comercialização das experiências oferecidas aos participantes.

Outro aspecto criticado é a atribuição de números aos integrantes, sendo Jesus apresentado pelo movimento como o “Legendário 001”. Uma análise publicada na Revista Teológica do Seminário Presbiteriano do Sul afirma que essa identificação faz parte da simbologia criada desde os primeiros encontros do grupo na Guatemala.

Na avaliação da IPB, o amadurecimento espiritual dos homens deve ocorrer principalmente dentro da igreja local, por meio das Escrituras, dos cultos, da orientação pastoral e de ministérios como a União Presbiteriana de Homens. A preocupação é que experiências externas possam ganhar maior importância do que a formação religiosa mantida pela própria denominação.

Apesar da orientação nacional, a resolução não determina a expulsão imediata de quem já participou ou continua participando do Legendários. Também não foram estabelecidas punições automáticas. Cada Conselho local deverá acompanhar os casos, conversar com os integrantes e avaliar se as práticas adotadas contrariam a doutrina e a Constituição interna da IPB.

Uma eventual medida disciplinar dependerá, portanto, da análise individual conduzida pelas lideranças locais. Na prática, pastores, presbíteros e diáconos ficam submetidos a uma orientação mais direta para não divulgar nem apoiar o movimento, enquanto os demais fiéis deverão receber acompanhamento e instrução pastoral.

Em resposta, o Legendários declarou que recebeu a decisão com “serenidade e respeito”. O movimento destacou que o texto tem caráter de recomendação, preserva a autonomia das igrejas locais e não estabelece punições específicas. A organização também reafirmou que continuará trabalhando para fortalecer famílias, formar lideranças e desenvolver ações comunitárias.

O grupo afirma estar presente em 24 países e reunir mais de 220 mil participantes. Até o momento desta apuração, não foram localizadas informações sobre cancelamento geral de eventos, encerramento das atividades no Brasil ou alteração da programação do Legendários por causa da decisão. O impacto imediato está concentrado nos membros ligados à Igreja Presbiteriana do Brasil.

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